Dragões #477 Ago 2026 | Page 39

ENTRE LINHAS
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
Durante 67 minutos, o marcador resistiu a tudo. William Gomes recuperou a bola, acelerou e encontrou Gabri Veiga, que escapou ao desarme e bateu Arruabarrena com o pé esquerdo. O terceiro 2-0 ainda não estava escrito, mas foi neste instante que a página deixou de estar em branco. e demorou 11 minutos a abandonar discretamente as funções. O central subiu para um canto cobrado por Gabri Veiga, ganhou espaço diante da baliza e abriu o marcador de cabeça. Depois de muitos meses longe do onze, poderia ter escolhido uma forma mais prudente de reaparecer. Preferiu marcar. A defesa do FC Porto ainda tentou transformar a ideia em método, porque, aos 34 minutos, Jakub Kiwior introduziu novamente a bola na baliza do Rio Ave. O VAR anulou o golo e devolveu o polaco à posição dele, mas o aviso estava feito: naquela noite, os centrais não tencionavam limitar-se a impedir que os outros marcassem. Por alguns instantes, a ficha dos goleadores correu o risco de parecer uma lista de defesas. A inversão tinha alguma lógica. O Rio Ave
Entraram juntos aos 66 minutos e resolveram juntos aos 82’. Inbeom Hwang encontrou Borja Sainz, o espanhol rematou ao ângulo e correu para a bandeirola, onde os companheiros se juntaram à celebração do segundo 2-0 do campeonato. O banco não se limitou a guardar a vantagem: aumentou-a.
fechava espaços, obrigava o FC Porto a procurar soluções em diferentes alturas e ameaçou perto do intervalo, quando Diogo Costa respondeu ao cabeceamento de Tamble Monteiro. Na outra área, Deniz Gül acertou no poste já durante a segunda parte. O jogo permanecia aberto, embora o resultado continuasse inclinado para o mesmo lado desde os 11 minutos. Francesco Farioli mexeu na equipa e colocou Borja Sainz e Inbeom Hwang em campo. Aos 82’, com um toque subtil, o sul-coreano encontrou o espanhol, que rematou ao ângulo e pôs fim à discussão. Os suplentes trataram do segundo golo depois de um goleador improvável ter marcado o primeiro. O banco não entrou para conservar o resultado, mas para lhe acrescentar segurança. O 2-0 repetiu a conta da jornada inaugural, sem repetir o percurso. No Dragão, dois penáltis tinham resolvido o encontro antes do intervalo. Nos Arcos, um central abriu cedo, outro ainda ensaiou a imitação e dois jogadores saídos do banco fecharam tarde. Borja repôs a ordem aos 82 minutos e devolveu o ataque à ficha dos goleadores, mas ninguém pôde acusar os centrais de não terem adiantado trabalho.
A paciência não entra na ficha O terceiro 2-0 foi o mais demorado. O Arouca chegou ao Dragão com seis pontos, um guarda-redes disposto a prolongar o empate e uma organização que obrigou o FC Porto a repetir perguntas. Arruabarrena respondeu a quase todas. Quando não respondeu, apareceram uma trave, um corte ou uma linha traçada pelo VAR. O nulo resistiu durante 67 minutos, embora passasse boa parte deles sob pressão. Gabri Veiga tentou de fora da área, William Gomes procurou o espaço entre adversários, Froholdt apareceu por dentro e Pepê acertou na barra. Alberto e Kiwior chegaram a introduzir a bola na baliza, mas os lances foram anulados. A ficha continuava vazia, mas o jogo não. A ironia surgiu na forma do primeiro golo. Depois de mais de uma hora a atacar uma defesa instalada, o FC Porto resolveu em velocidade. William Gomes recuperou a bola, avançou pelo terreno e entregou-a a Gabri Veiga, que rematou rasteiro para quebrar a resistência. A equipa passou muito tempo a construir espaço, mas bastou-lhe um instante para o aproveitar. O golo não alterou a disposição para procurar o seguinte. Arruabarrena continuou a defender e terminou o encontro com oito intervenções, número pouco habitual para quem sofreu apenas duas vezes. Aos 86 minutos, Pepê cruzou da direita e Borja Sainz atirou para o 2-0, pelo segundo jogo consecutivo depois de sair do banco. A insistência ganhou profundidade no plantel e o resultado voltou a encontrar a forma que já conhecia. Diogo Costa completou 250 jogos pela equipa principal numa noite em que o homem da outra baliza teve muito mais trabalho. Três jornadas chegaram ao mesmo resultado por caminhos diferentes e, contra o Arouca, a repetição esteve longe de ser automática: foi preciso rematar, insistir, aceitar dois golos anulados e continuar a procurar. A paciência não entrou na ficha, mas saiu do Dragão na liderança.
39