TEMA DE CAPA
AGOSTO 2026 REVISTA DRAGÕES
A Supertaça também se decide nesse segundo em que a bola já passou por todos e ainda não tocou no fundo das redes. Em 2020, Luis Díaz marcou ao Benfica e deixou na fotografia o instante suspenso entre o remate e a certeza.
EM 1996, A SUPERTAÇA
CHEGOU À LUZ AINDA POR DECIDIR, MAS O FC PORTO FEZ DO 1-0 DAS ANTAS APENAS O PREFÁCIO DE UMA NOITE HISTÓRICA: 5-0, CINCO MARCADORES E UMA GOLEADA SEM NECESSIDADE DE LEGENDAS.
memória e de um silêncio respeitoso à volta. Depois vieram os anos em que a prova parecia gostar de complicar a própria vida. Em 1984, precisou de dois meses, quatro jogos e uma finalíssima para descobrir o vencedor. Em 1991, começou em dezembro e só acabou em setembro do ano seguinte, transformando a Supertaça numa prova com fuso horário próprio. Quando finalmente chegou a Coimbra, ainda houve penáltis e uma série que parecia fugir para o outro lado. O Benfica esteve a vencer por 3-0, mas Vítor Baía defendeu os dois últimos remates, Paulinho César fechou a conta e o FC Porto guardou mais um daqueles episódios em que o improvável entra pelo relvado dentro sem pedir autorização.
De todas as maneiras A década de 90 deu à competição alguns dos seus melhores excessos. Em 1994, outra vez em Coimbra, Domingos marcou, Tavares empatou a um minuto dos 90, Secretário voltou a pôr o FC Porto na frente no prolongamento e César Brito adiou tudo para os penáltis quando os Dragões já jogavam com nove. Mesmo assim, o troféu resistiu ao caos e ficou azul e branco. No ano seguinte, a Supertaça decidiu fazer turismo: começou em Lisboa, passou pelo Porto e acabou em Paris, no
Parque dos Príncipes, onde Domingos marcou o único golo da finalíssima. Nem a geografia escapava ao hábito. Em 1996, a Supertaça foi à Luz e saiu de lá com uma das noites mais esmagadoras da história azul e branca. O 1-0 das Antas deixava tudo em aberto, pelo menos em teoria. Na prática, Artur, Edmilson, Jorge Costa, Wetl e Drulović trataram de transformar a segunda mão num vendaval: 5-0, uma goleada rara, limpa, brutal, daquelas que não precisam de adjetivos se o marcador estiver por perto. Dois anos depois, no 1.º de Maio, em Braga, a história foi diferente, mais apertada, mais nervosa, mais de sobressalto. Elpídio Silva teve um penálti no último minuto, mas Ivica Kralj segurou o empate e a décima Supertaça. A hegemonia também se faz disto. Às vezes de música alta, outras de dentes cerrados. A prova modernizou-se, passou para jogo único, e o FC Porto estreou o formato como se estivesse a carimbar um documento. Em 2001, no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde, Jorge Andrade marcou ao Boavista depois de um canto de Deco e quebrou uma pequena maldição contra os axadrezados. Em 2003, Mourinho precisou de tirar Costinha do banco para desbloquear
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