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JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES
fora dela:“ Transforma o próprio êxito em oportunidades para os outros.” Era essa excelência que a cidade queria reconhecer.
Uma medalha de muita gente Desta vez, Carla recebeu uma medalha diferente. Não premiava um lançamento, uma prova ou um lugar no ranking. Reunia todos os resultados e reconhecia aquilo que os pódios raramente mostram: as horas de treino, a disciplina e a persistência que sustentam cada conquista.“ Este prémio não é só para mim, Carla Oliveira, mas acho que significa muito mais do que isso”, afirmou. Nascida em Lourosa, Santa Maria da Feira, encontrou no Porto aquilo a que chamou“ liberdade e oportunidade”. A cidade abriu-lhe portas na vida académica, profissional, desportiva e até amorosa. A filha é portuense“ de gema” e Carla aprendeu a reconhecer como sua a cidade que lhe permitiu crescer e competir. O agradecimento estendeu-se ao FC Porto, não apenas pelo contexto de treino, mas pela forma como é concebido.“ O FC Porto dá todas as condições aos atletas sem criar nenhum tipo de distinção”, sublinhou. Na frase cabia uma ideia maior do que o apoio logístico: no clube, a exigência não distingue modalidades nem separa atletas.
Competência, ambição, rigor e paixão são valores comuns, independentemente do palco, da exposição ou das características de cada praticante. A medalha trazia o nome de Carla, mas a atleta fez questão de alargar-lhe o significado.“ É um reconhecimento a todos aqueles atletas que também treinam e trabalham com a sua excelência na alta competição.” Num setor em que o reconhecimento nem sempre acompanha o mérito, a distinção municipal ajudava também a iluminar quem continua a trabalhar longe dos grandes focos.
Um clube, muitos ângulos André Villas-Boas recebeu a mesma medalha com outro percurso atrás de si. Foi adepto e sócio antes de entrar no clube, começou na formação, trabalhou com José Mourinho, conquistou a Europa como treinador principal e regressou anos mais tarde pela porta da presidência. Poucos conheceram o FC Porto de tantos ângulos e, talvez por isso, tenha recusado tratar a distinção como propriedade individual.“ Esta medalha pertence também aos sócios do FC Porto”, declarou, antes de os definir como“ o património imaterial mais importante” da instituição: cultura, história, consciência crítica e garantia
de que o clube continuará a pertencer a quem o ama. Recebia a condecoração enquanto presidente, mas colocou-a nas mãos de uma comunidade. A época anterior tinha dado peso adicional ao momento. O FC Porto recuperou o título nacional de futebol, voltou a ser campeão europeu de hóquei em patins, reconquistou o campeonato de basquetebol uma década depois e celebrou triunfos em vários escalões, no futebol feminino, nas modalidades e no desporto adaptado. Ainda assim, André Villas-Boas deixou um aviso no meio da celebração:“ A glória do FC Porto não pode ser uma visita ocasional. Tem de ser obrigatoriamente um lugar comum.” As festas do 31.º título de campeão nacional tinham mostrado a ligação para lá das palavras. O Dragão encheuse, o Douro vestiu-se de azul e branco e os festejos avançaram da Ribeira até aos Aliados, reunindo crianças, pais e avós. A equipa devolveu uma vitória à cidade e a cidade devolveu-lhe uma imagem de pertença. Foi essa memória que André Villas-Boas levou aos Paços do Concelho para explicar que“ o FC Porto não está apenas localizado no Porto, é uma expressão do Porto”. A frase não procurava apenas aproximar duas instituições, falava
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