alegadas interferências nas nomeações foi arquivado pelo Conselho de Justiça por insuficiência de indícios e proteção das comunicações privadas. Esse arquivamento deve ser respeitado, mas não atenua a desconfiança instalada na liderança do setor. As notícias recentemente conhecidas dão conta de que a Polícia Judiciária recebeu uma participação e está a desenvolver diligências sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influências relacionadas com essas nomeações. Não antecipamos conclusões, não fazemos condenações públicas e não nos substituímos às autoridades. Esperamos, isso sim, um apuramento célere, rigoroso e completo.
Consideramos por isso prudente que o Presidente do Conselho de Arbitragem suspenda temporariamente as suas funções enquanto defende o seu bom nome e os factos sejam esclarecidos. Não como antecipação de culpa, mas como proteção da própria pessoa, da função que exerce e da instituição que representa.
Esperamos também uma posição mais firme e clara da Federação Portuguesa de Futebol. A sua Direção assumiu diretamente o pelouro da arbitragem e não pode tratar esta crise como uma mera divergência interna. O que está em causa é a confiança nos processos, nas nomeações e na integridade das competições após uma época desastrosa. Por fim, uma palavra sobre o Boavista. Aquilo que está a acontecer a um Clube histórico da nossa cidade não deve ser motivo de satisfação para ninguém. É uma ferida no património desportivo e social do Porto e um alerta para todo o futebol português. O encerramento da atividade, depois de anos de insolvência, incumprimento e degradação financeira, mostra até onde pode chegar uma instituição centenária quando fica dependente de modelos de negócio opacos, de estruturas acionistas desligadas da sua comunidade e de mecanismos de controlo incapazes de agir a tempo.
Não compete ao FC Porto substituir-se aos tribunais, aos credores ou aos responsáveis do Boavista. Mas compete-nos afirmar que o futebol português necessita urgentemente de rever os seus regulamentos de licenciamento, sustentabilidade e fair play financeiro. É necessário escrutinar melhor a origem dos capitais, a idoneidade dos investidores, as garantias dadas às instituições e o cumprimento permanente das obrigações económicas e sociais.
Os clubes não são ativos descartáveis. Pertencem à História, às cidades, aos Sócios e às comunidades que os construíram. Quando um clube centenário fica ligado às máquinas, falhou muito mais do que uma administração. Falhou um sistema inteiro que deveria ter protegido a competição, os trabalhadores, os adeptos e o património coletivo. Caros Portistas, A época começa agora. Traz novas ambições, novos jogadores, novos projetos e dificuldades que conhecemos bem. Sabemos que, para alcançarmos os nossos objetivos, teremos muitas vezes de trabalhar mais, lutar mais e permanecer mais unidos do que os outros.
Não é vitimização. É consciência histórica. É saber quem somos, o que representamos e aquilo que sempre nos foi exigido.
Queremos uma grande época. Queremos honrar os títulos conquistados sem viver deles. Queremos defender o FC Porto com rigor, coragem e compromisso. E queremos voltar a dar aos nossos Sócios e Adeptos as alegrias que o seu esforço merece. Tudo recomeça. Menos a nossa ânsia de vencer. Viva o Futebol Clube do Porto.