A VISÃO DO PRESIDENTE
JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES
Exigência
Caros Portistas, Julho é o mês em que tudo recomeça.
A época passada terminou com títulos, festas e momentos que ficarão para sempre na nossa memória. Mas nenhuma conquista anterior vence o jogo seguinte. Nenhum troféu nos dá vantagem no primeiro duelo. Nenhuma celebração substitui o trabalho que temos novamente pela frente.
Entramos na nova época com expectativas renovadas, mas com o mesmo compromisso de sempre: vencer. Um compromisso que exige rigor nos processos, intensidade no trabalho, disciplina, capacidade de superação e a consciência permanente de que o todo será sempre maior do que cada uma das partes.
A união que nos marcou na última temporada não pode ser apenas recordada. Tem de ser reconstruída todos os dias. No balneário, no Olival, no Dragão, na Direção, na Administração, em cada departamento e em cada bancada. Foi juntos que chegámos ao sucesso e será juntos que voltaremos a lutar por ele.
A Supertaça Cândido de Oliveira marca o primeiro momento oficial da temporada. E começa logo com uma final.
Do outro lado estará o Torreense, uma equipa que surpreendeu o país, mas certamente não se surpreendeu a si própria. Conquistou a Taça de Portugal com coragem, organização e uma crença que lhe permitiu alcançar um feito inédito no futebol português. O seu percurso merece respeito e diz-nos tudo sobre a dificuldade que encontraremos em Coimbra.
Não há espaço para distrações, facilidades ou confiança construída sobre aquilo que fizemos no passado. Entraremos em campo conscientes da nossa responsabilidade, da qualidade do adversário e da exigência de uma final. Queremos conquistar a Supertaça, mas sabemos que só o poderemos fazer com concentração máxima, espírito coletivo e uma entrega à altura do símbolo que representamos.
Uma nova época traz também novas caras, novas histórias e a necessidade de integrar diferentes percursos numa identidade comum.
Damos as boas-vindas ao Inbeom Hwang e ao João Afonso, jogadores que chegam com qualidade, ambição e vontade de se afirmarem no FC Porto. Saudamos também o regresso do André Silva, nove anos depois de ter deixado a casa onde cresceu e onde o seu golo começou. Regressar ao FC Porto é voltar a um lugar conhecido, mas é também assumir uma nova responsabilidade perante o seu Clube de coração, um grupo novo e objetivos que se renovam.
Mame Niang, Eirik Granaas e Cardoso Varela representam outra dimensão do trabalho que estamos a desenvolver. São jogadores jovens, com talento e potencial, que projetamos no futuro do FC Porto. Não lhes colocamos o peso de promessas antecipadas. Damos-lhes estrutura, acompanhamento, exigência e a oportunidade de crescerem. O talento abre portas, mas só o trabalho, o carácter e a capacidade de compreender aquilo que significa ser Porto permitem atravessá-las.
A todos os que chegam, uma mensagem simples: entram num Clube campeão, mas não herdam nenhuma vitória. Terão de conquistar o seu espaço, respeitar os nossos valores e compreender que vestir esta camisola é um privilégio acompanhado por uma exigência diária.
Essa exigência é alimentada, como sempre, pelos nossos Sócios.
O processo dos Lugares Anuais terminou com uma resposta extraordinária. Perto de 96 % dos lugares foram renovados e todos os lugares disponibilizados acabaram adquiridos por Sócios que aguardavam na lista de espera. São números que nos orgulham, mas que nunca olharemos apenas como percentagens. A maior taxa de renovação da nossa História representa confiança, pertença e uma vontade enorme de continuar a viver o FC Porto no Dragão.
Por detrás de cada renovação está muitas vezes uma família que faz contas, reorganiza prioridades e abdica de outras coisas para continuar presente. A Direção do Clube e a Administração da SAD conhecem esse esforço e não o tomam como adquirido. Deixamos, por isso, um agradecimento profundo a todos os que renovaram e aos que esperaram pelo seu momento para adquirir um Lugar Anual.
E não esquecemos aqueles que não puderam continuar. Há lugares com histórias que começaram nas Antas, atravessaram décadas de Dragão e passaram entre gerações.
Quem não renovou não deixa de ser Portista, nem perde o seu lugar na memória e na vida do Clube. O FC Porto sabe que a vida nem sempre permite escolher o coração e não pode ficar indiferente à dor de quem interrompe uma ligação construída ao longo de tantos anos.
O esforço dos Sócios obriga-nos a servir melhor, a melhorar a experiência no Dragão, a gerir com rigor e, naturalmente, a construir equipas capazes de continuar a vencer. Porque o estádio não é apenas betão, cadeiras ou serviços. O Dragão são as pessoas que chegam cedo, que vêm de longe, que trazem filhos e netos, que cantam, exigem, sofrem e nunca deixam a equipa sozinha.
Julho marca também o nascimento de um projeto há muito desejado: a equipa sénior de futsal do Futebol Clube do Porto.
Começaremos na Terceira Divisão Nacional, com humildade no ponto de partida e ambição no destino. Queremos construir bases sólidas, desenvolver uma identidade própria e criar uma equipa que apaixone os Portistas e que, com o tempo, leve o FC Porto aos patamares que a sua dimensão exige.
A escolha de Cardinal para capitão diz muito sobre aquilo que pretendemos. Não é preciso explicar-lhe o que é o Porto, porque ele sempre o viveu. É um Portista profundo, um dos grandes nomes da história da modalidade e alguém que classificou este regresso como o dia mais feliz da sua vida desportiva. Antes de a primeira bola rolar, o nosso capitão já representa pertença, emoção, experiência e a responsabilidade de abrir caminho para os que virão depois.
Mas uma nova época não pode começar sem olharmos também para aquilo que ameaça a sua serenidade e a credibilidade das competições.
O setor da arbitragem inicia a temporada envolvido numa crise institucional que não augura nada de bom. O FC Porto alertou repetidamente, ao longo da última época, para fragilidades no funcionamento do Conselho de Arbitragem, para a instabilidade criada sobre os árbitros e para a necessidade de maior independência, uniformidade de critérios, profissionalização e transparência, bem como a renovação tardia da tecnologia VAR.
O processo disciplinar relativo às
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