Dragões #476 Jul 2026 | Page 60

BASQUETEBOL
JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES
A RESPONSABILIDADE AQUI É SEMPRE A MESMA. NESTE CLUBE, AS DERROTAS TÊM UM PESO MUITO GRANDE PARA TODOS NÓS. COMO JÁ REFERIU O PRESIDENTE, AS VITÓRIAS QUASE NÃO SE FESTEJAM, SÃO MAIS UM ALÍVIO DO QUE OUTRA COISA. O SUCESSO É MUITO CURTO. A RESPONSABILIDADE DE TER DE GANHAR COMPETIÇÕES E DE LUTAR POR TÍTULOS NACIONAIS É OBRIGATÓRIA.
lhe daria o título. O que disse aos jogadores antes desse jogo? Relembrámos situações que achámos que o Benfica ia explorar tendo em conta os jogos anteriores e a rotação que fez nos estrangeiros. Percebemos que ia mais à procura do jogo interior e que iria colocar mais intensidade, mas isso também nos dava muitas vantagens com as características dos nossos jogadores. Foi muito à volta disto, de explorar essas situações com tranquilidade. Em todos os jogos houve jogadores a dar passos em frente. Falámos do Cornelius Hudson no jogo 2, mas também podemos falar do Jhonathan Dunn, que foi fundamental no jogo 3, e do Corey Allen no jogo 4. Em termos coletivos, estivemos a um nível altíssimo, mas em termos individuais os jogadores também foram fundamentais.
Qual foi o seu primeiro pensamento assim que terminou o jogo e fez do FC Porto campeão nacional? Quando o Queiroz faz aquele lance livre e estávamos com quatro pontos de vantagem, pensei“ Conseguimos!”. Andei com um cartaz atrás da equipa para todo o lado desde a meia-final que dizia:“ I believe. What about you?” [ Eu acredito. E tu?]. Esse cartaz andou no autocarro, nos balneários, foi para todo o lado connosco de forma a ser a primeira coisa que eles vissem. Quando todos acreditamos, as coisas ficam mais fáceis de acontecer. Depois nem sabia o que me apetecia, parecia uma criança no meio do Dragão Arena e com certeza me esqueci de abraçar pessoas que devia ter abraçado. Ainda assim, acho que toda a gente se sentiu abraçada por mim com gratidão. Acima de tudo, quis observar a felicidade dos meus jogadores, essa é a nossa grande vitória. São festejos que passam muito rapidamente, pois a cabeça começa logo pensar como vai ser para o ano. O que me dá mais prazer é ver a felicidade dos meus jogadores.
Quão importantes foram os adeptos nesta conquista? Depois daqueles jogos em casa com o Sporting, em que já tivemos uma moldura incrível com um ambiente maravilhoso, era impossível perdermos aqueles jogos 3 e 4 contra o Benfica. Ia culpar-me para o resto da vida se perdêssemos esses jogos, pois não podia proporcionar esse sentimento aos adeptos que aqui estavam. Só tínhamos uma solução, que era ganhar. Foi uma sensação de extrema felicidade.
O que lhe disse o presidente André Villas-Boas? O presidente esteve lá no jogo do título e tem estado sempre presente. Tem sido uma pessoa muito importante do ponto de vista pessoal, sempre me deu o apoio e o suporte necessários, não só ele, como também o Mário Santos e a restante estrutura do clube. Em momentos muito difíceis, foram pessoas que senti que continuavam a acreditar, até por ser uma competição diferente e decidida nos Playoffs. Com o esforço que o clube fez para fazermos as mudanças que fizemos e reestruturar a equipa, creio que a felicidade dele era igual à minha e à de todas as outras pessoas que estavam no Dragão Arena. Falei um bocadinho com ele no túnel e manifestou-me gratidão, mas eu é que tenho de lhe agradecer pela oportunidade de estar aqui e de partilhar esta felicidade com esta gente toda. Vou guardar as palavras dele só para mim até ao final dos meus dias.
O estatuto de campeão nacional traz mais responsabilidade à equipa para a próxima época?
A responsabilidade aqui é sempre a mesma. Neste clube, as derrotas têm um peso muito grande para todos nós. Como já referiu o presidente, as vitórias quase não se festejam, são mais um alívio do que outra coisa. O sucesso é muito curto. É uma descarga de energia muito grande e um alívio muito grande, mas sinto exatamente a mesma responsabilidade para o futuro. O título é passado, fica no Museu, mas gostaria de continuar a contribuir com troféus para lá. A responsabilidade de ter de ganhar competições e de lutar por títulos nacionais é obrigatória.
Benfica e Sporting vão mudar muito neste defeso, a começar pelos treinadores. O FC Porto tem aqui uma hipótese de começar a ganhar mais regularmente no basquetebol? A verdade é que estamos um pouco no escuro neste momento. Avaliando por esse cenário, parece-me que sim, até porque temos continuidade na estabilidade da equipa. O Benfica mantém um núcleo duro importante e relativamente ao Sporting estou um bocadinho às escuras. Não tenho muita noção de como essas equipas vão estar, mas também há um Sporting de Braga que vai estar muito bem e a Ovarense e a Oliveirense, que são sempre boas equipas. Sempre que não respeitarmos o adversário, vamos perder, como aconteceu na época passada. Isso é algo que quero deixar claro desde o início, a derrota aqui tem um peso muito grande. Enquanto portistas, sentimos isso ainda com mais responsabilidade. Temos de nos preparar bem.
Que posições no plantel ainda procura reforçar? Neste momento são dois jogadores para as posições 2 e 3. Temos vários nomes em cima da mesa e estamos a estudar. O Vlad [ Voytso ] após a época fantástica que fez, também pode fazer as posições
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