Dragões #476 Jul 2026 | Page 58

BASQUETEBOL
JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES
QUANDO VIEMOS PARA AQUI, O MEU SENTIMENTO ERA DE QUE ÍAMOS SER CAMPEÕES. NESSA ALTURA JÁ NÃO TINHA DÚVIDA NENHUMA, ESTAVA CONVENCIDÍSSIMO DE QUE ÍAMOS SER CAMPEÕES PORQUE SENTIA QUE A EQUIPA ESTAVA COM UMA MOTIVAÇÃO EXTREMA. ENTRE NÓS, ESTÁVAMOS UMA ROCHA MUITO DIFÍCIL DE MOVER.
no aspeto defensivo e isso colocou-nos mais perto das vitórias. Tivemos uma boa fase depois de nos decidirmos pela substituição de alguns jogadores, que não deram à equipa aquilo que acreditava que podiam dar. Tomámos algumas decisões e estou grato à Direção por as termos tomado a tempo. Até à Taça de Portugal estivemos bem e até a podíamos ter vencido, foi decidida no último lançamento. Tivemos uma boa prestação e em termos de qualidade de jogo fiquei satisfeito. Aí voltámos a ter nova lesão do Tanner Omlid, o Miguel Queiroz estava a regressar nesse momento e, entretanto, o Gonçalo Delgado lesiona-se outra vez. Depois há a questão da falta de adaptação do Javian Davis desde novembro até ao final da época, mas a ausência de jogadores interiores prolongou um pouco a permanência dele na equipa. Aos olhos de outros, ele podia ter saído mais cedo, mas houve algumas razões que levaram a que tenha saído na altura em que saiu. Não sei se justifica tudo, mas a ausência dele criou uma dinâmica muito forte, muito coesa e muito humilde dentro do grupo. As coisas melhoraram muito depressa e senti que a equipa estava melhor antes dos Playoffs, mas não sabia se estava preparada para lutar pelo título. Essa diferença rapidamente ficou resolvida com as exibições que fizemos na meia-final e na final.
Há algum momento que considera ter dado o clique na equipa? No treino seguinte a termos tomado a decisão da saída do jogador [ Javian Davis ] por falta de adaptação, que é culpa de todos, as coisas melhoraram bastante. Estávamos a utilizar um jogador por minha responsabilidade e por achar que era importante nas áreas próximas do cesto, e tínhamos de deixar outro estrangeiro de fora. Isso criou alguma instabilidade e alguma injustiça dentro do grupo. A decisão de ausentá-lo da equipa deixou todas as cabeças muito mais tranquilas, muito mais motivadas e, acima de tudo, muito mais humildes. Acho que, como equipa, fomos um exemplo, quer em termos defensivos, quer em termos ofensivos.
A generalidade das pessoas considerava o Benfica amplamente favorito na final. Isso serviu de motivação para a equipa? Acho que não, acho que partiu mesmo de nós próprios. Só nos focámos nas coisas que podíamos controlar. A dois ou três meses do final da época, as coisas estavam de tal maneira difíceis que nós, enquanto equipa técnica, começámos a agarrar as pontas soltas individualmente. Tentámos fazer os jogadores acreditar que era possível, até pelos resultados que tínhamos tido anteriormente contra o Benfica e pela vitória em Alvalade. Alimentámo-nos disso e sentíamos que não estávamos assim tão longe, não era a classificação que ia ditar o que ia acontecer no final de tudo. Depois tomámos algumas medidas a nível de motivação, de grupo, que ao início pareciam ridículas, mas que foram criando laços de muita proximidade e muita cumplicidade. Foi isso que nos levou a estar naquela meia-final com o Sporting com a clara noção de que podíamos vencer. Nos jogos em casa, seja da meia-final ou da final, com o ambiente que estava, dificilmente iríamos perder um jogo.
Na final, o primeiro jogo em Lisboa não correu bem, mas o segundo foi muito diferente. O que dizer da exibição do Cornelius Hudson, que fez 41 pontos? O primeiro jogo deu-nos alguns bons sinais apesar da derrota. Julgo que estivemos a perder por 32 pontos e foi um jogo de uma ineficácia ofensiva elevadíssima, mesmo com boas situações criadas e com lançamentos abertos. Mesmo assim, o Benfica só fez 89 pontos quando tinha uma média de 96. Acreditávamos que, se melhorássemos as percentagens, estávamos mais perto de vencer. No segundo jogo também temos a exibição fenomenal do Cornelius Hudson e esses jogadores também são importantes nas equipas, por muito que nos deem dores de cabeça em algumas situações. São jogadores que ajudam a ganhar jogos e ele nesse jogo foi determinante. Fez uma exibição extraordinária, mas também tivemos alguma sorte com os lançamentos que podiam ter caído para o Benfica no fim do tempo regulamentar. Virmos para o Porto com um 2-0 desfavorável seria uma situação difícil de reverter, mas a sorte também faz parte dos campeões e essa sorte foi merecida. Seguiram-se dois jogos no Dragão Arena. Sentia que aquele jogo 3 podia fazer a diferença na final? Era fundamental. O jogo 3 era muito importante, mesmo com duas derrotas fora. A envolvência dos jogadores do jogo 1 para o jogo 2 em Lisboa, nas situações mais simples da preparação, fez-me sentir que era possível vencer. Felizmente vencemos e, quando viemos para aqui, o meu sentimento era de que íamos ser campeões. Nessa altura já não tinha dúvida nenhuma, estava convencidíssimo de que íamos ser campeões porque sentia que a equipa estava com uma motivação extrema. Entre nós, estávamos uma rocha muito difícil de mover. Também sabia que no capítulo defensivo íamos estar a um nível altíssimo. O Benfica faz 63 pontos no jogo 3 e 73 no jogo 4.
O FC Porto entrou em campo no jogo 4 sabendo que uma vitória
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