FUTEBOL
JULHO 2026 REVISTA DRAGÕES
O golo que perdeu e ganhou
Primeiro ganhou Oskar, depois ganhou William. Entre a Luz e Alvalade, entre a eleição dos portistas e a votação da Liga, o Golo do Ano tornou-se uma pergunta com duas respostas certas.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
A pergunta parecia encerrada. Nas redes sociais do FC Porto, depois de várias eliminatórias, milhares de votos e uma final com dois golos capazes de ganhar qualquer eleição, Oskar Pietuszewski ficou com o título de Golo do Ano. O remate na Luz venceu a votação interna, bateu William Gomes no último duelo e saiu da urna azul e branca com a coroa popular. Fim da história? Nem por isso. Na gala da Liga Portugal Awards, a época puxou de uma segunda votação e abriu de novo a discussão: o golo do ano no campeonato foi o de William Gomes em Alvalade, precisamente o finalista vencido pelo polaco na escolha dos portistas. É aqui que o leitor entra em campo. Se a eleição fosse hoje, repetia o voto? Ficava com Oskar, com a arrancada adolescente, o pé esquerdo e o silêncio imposto na Luz? Ou mudava para William, com aquele disparo em Alvalade, num clássico precoce, mas já carregado de significado, quando o FC Porto entrou em casa do campeão nacional e saiu de lá com uma vitória que já trazia cheiro de afirmação? A graça está no dilema, porque não há resposta errada, só dois golos a discutir o mesmo trono. O de Oskar tinha qualquer coisa de relâmpago biográfico. Um miúdo, um clássico, uma corrida e um remate que parecia escrever a certidão de nascimento de um novo protagonista. Ganhou nas redes do clube porque misturava beleza, contexto e futuro. Era o tipo de golo que os adeptos não escolhem apenas pelo que viram, mas também pelo que imaginaram a partir dali. O de William, agora consagrado pela Liga, pertence a outra família de
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