Dragões #474 Mai 2026 | Page 67

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES

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SC BRAGA 1-2 FC PORTO 22 DE MARÇO DE 2026 ESTÁDIO MUNICIPAL DE BRAGA
1-0, RODRIGO ZALAZAR( 54’)( P) 1-1, WILLIAM GOMES( 69’) 1-2, SEKO FOFANA( 80’)
Em Braga, o FC Porto não jogou apenas contra um adversário, jogou contra o contexto, contra a inclinação do campo e, a espaços, contra aquela estranha sensação de que para chegar lá acima era preciso equipamento de alpinismo e uma dose extra de fôlego. Não interessa. Há equipas que encolhem perante a adversidade, mas esta preferiu crescer. Esteve em desvantagem a meio da segunda parte, num jogo de peso máximo, e respondeu como respondem as equipas que se reconhecem ao espelho. Sem dramatismo, sem desculpas e sem a menor vontade de entregar o guião a terceiros. O mais revelador nem foi a reviravolta em si, embora duas pancadas certeiras em dez minutos nunca sejam matéria menor. Foi a forma como ela nasceu. Dos onze que estavam em campo, dos milhares que vinham das bancadas e, de forma particularmente eloquente, de quem saiu do banco para mudar o jogo. William Gomes e Seko Fofana assinaram os golos, mas a vitória teve claramente caligrafia coletiva. Froholdt disse que o prémio de melhor em campo devia ser da equipa inteira e não parece ter exagerado um milímetro. Houve luta, houve entreajuda, houve caráter e houve a recusa muito portista de aceitar que um resultado desfavorável seja destino. Francesco Farioli, que não costuma desperdiçar gestos nem indignação, deixou claro que nem tudo o que se viu merecia aplauso protocolar. Falou de um cartão vermelho por mostrar depois de uma falta brutal sobre Oskar Pietuszewski, lembrou a grande penalidade que deu o golo ao Sporting de Braga e apontou uma incoerência que, pelos vistos, só é subtil para quem tem apito e conveniência. Mas até isso acaba por acrescentar nitidez ao retrato da noite. O FC Porto ganhou apesar de tudo o que o jogo foi acumulando pelo caminho. Ganhou porque teve coragem com e sem bola, porque teve intensidade quando era fácil perder a cabeça e porque mostrou ser, como sublinhou o treinador, a única equipa do top-3 a vencer duas vezes ao Sporting de Braga. Não é acaso, é capacidade competitiva em estado puro. Diogo Costa resumiu uma parte essencial da história ao dizer que o segredo esteve em quem entrou. É uma frase simples, mas diz muito sobre o momento desta equipa. A rotação não serve para encher discurso nem para distribuir minutos por caridade, serve para manter toda a gente pronta, ligada e útil quando a montanha aperta. E foi isso que se viu. Num dos terrenos mais incómodos do calendário, onde o FC Porto só tinha ganho uma vez nos últimos oito jogos, apareceu uma equipa viciada em não ceder. Uma equipa que, quando o jogo inclina, não escorrega, sobe na mesma.

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FC PORTO 2-2 FAMALICÃO 4 DE ABRIL DE 2026 ESTÁDIO DO DRAGÃO
1-0, ALBERTO COSTA( 35’) 1-1, SORRISO( 54’) 2-1, SEKO FOFANA( 90’+ 1) 2-2, RODRIGO PINHEIRO( 90’+ 9)
O FC Porto chegou a tocar a vitória com as duas mãos, mas o futebol tem esta crueldade fina de, por vezes, retirar no último instante aquilo que parecia já acomodado no lugar certo. O empate com o Famalicão, selado aos 90’+ 9 depois de os portistas terem estado em vantagem por duas vezes, deixou uma sensação de obra inacabada. Alberto Costa abriu o marcador aos 35 minutos, Seko Fofana devolveu a dianteira já nos descontos com uma execução de grande recorte, mas nem isso bastou para fechar a noite. Talvez por isso o resultado tenha sabido tanto a interrupção. Não porque faltassem sinais de vontade, nem porque a equipa tenha deixado de procurar o jogo, mas porque nunca conseguiu instalar de forma contínua a autoridade que costuma transformar vantagem em sentença. Alberto teve o mérito de abrir caminho e de dar expressão prática a uma superioridade que o FC Porto queria consolidar; Fofana ofereceu ao jogo o momento de maior fulgor, com um golo daqueles que parecem resolver mais do que um lance, como se o talento individual pudesse, por um instante, pôr ordem definitiva na noite. Não pôde. E foi aí que o empate ganhou peso, precisamente por surgir depois de um gesto que tinha tudo para ficar como assinatura maior da jornada. Francesco Farioli preferiu a lucidez ao álibi e reconheceu que a exibição ficou abaixo do nível habitual, sublinhando a falta de velocidade, eficácia e agressividade. Fez bem. Não para expor em demasia uma equipa que continuava na frente, então com mais cinco pontos e mais um jogo do que o Sporting, mas para lembrar que abril já não tolera dispersões nem vitórias apenas pressentidas. Há fases da época em que o essencial não é apenas construir vantagem, é saber protegê-la até ao fim. Ainda assim, convém não trocar um empate doloroso por um juízo apressado. O campeonato continuava a colocar o FC Porto na dianteira e a equipa já tinha mostrado, noutras noites, capacidade para responder quando o cenário lhe pedia firmeza. Talvez seja esse o verdadeiro ponto de contacto entre a frustração do resultado e a necessidade de transformar a desilusão em densidade competitiva. O golo de Alberto merecia tranquilidade, o de Fofana merecia moldura.
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