ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
Não se vê a bola na rede, vê-se algo talvez mais eloquente: Seko Fofana a passar e o adversário a tentar recuperar a dignidade.
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FC PORTO 3-0 MOREIRENSE 15 DE MARÇO DE 2026 ESTÁDIO DO DRAGÃO
1-0, GABRI VEIGA( 14’) 2-0, OSKAR PIETUSZEWSKI( 25’) 3-0, WILLIAM GOMES( 81’)
De volta ao Dragão 72 horas depois de vencer em Estugarda, o FC Porto não se limitou a somar mais três pontos. Impôs novamente a cadência, voltou a mostrar profundidade de soluções e despachou o Moreirense com a serenidade de quem percebe o momento da época e se recusa a deitar fora energia, foco ou vantagem. O FC Porto entrou forte, foi intenso quando tinha de ser intenso, soube baixar a rotação quando o jogo o permitiu e teve sempre a mão no guiador. Gabri Veiga abriu a porta, Oskar Pietuszewski voltou a deixar a sua assinatura e William Gomes fechou a conta com um remate daqueles que fazem o estádio erguer-se antes mesmo de a bola beijar a rede. Pelo meio, ficou a sensação de uma equipa que já não jogava apenas para ganhar, jogava para controlar, para gerir e para chegar viva ao que estava para vir. Francesco Farioli chamou-lhe“ a noite certa” e a definição encaixa. Certa no resultado, certa na gestão, certa nos minutos distribuídos e certa até na forma como a equipa soube evitar desgaste inútil. Numa altura em que o calendário apertava e cada jogo pedia muito ao corpo e à cabeça, o treinador voltou a mostrar que não olhava apenas para o encontro que estava a decorrer. Estava sempre a jogar em dois tabuleiros ao mesmo tempo, sem deixar cair nenhuma peça. Vale a pena sublinhar outro detalhe. Quando Farioli recusava perder tempo com contas e lembrava que a vantagem pontual ainda não devia ser lida como distância real, não estava a oferecer prudência de conferência de imprensa, estava a proteger a equipa da tentação mais perigosa daquela fase, a de confundir liderança com conforto. O campeonato não tinha almofadas, tinha armadilhas, e o FC Porto parecia suficientemente lúcido para não adormecer em cima da tabela.
Froholdt foi frontal. Dizer que o objetivo era ser campeão não era excesso de confiança, era apenas higiene competitiva. Já Gabri Veiga foi por outro caminho e talvez tenha dito algo igualmente importante ao recusar instalar-se nos números ou no ruído em volta. Há jogadores que marcam e aproveitam para se acomodar ao aplauso, mas o galego preferiu declarar-se insatisfeito. Num plantel que queria disputar tudo até ao fim, esse tipo de exigência interna valia tanto como um golo. O remate final de William Gomes ajudou a compor a fotografia de uma noite muito completa. Não apenas pela beleza do gesto ou pelo simbolismo de marcar em dia de aniversário, mas porque confirmou uma ideia que ia ganhando corpo: este FC Porto não vive apenas dos nomes mais óbvios, nem da repetição automática dos mesmos protagonistas.
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