Dragões #474 Mai 2026 | Page 56

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
A chuva deu-lhe moldura, mas a vantagem teve autor. Francisco Moura caiu para a fotografia e levantou o Dragão para a certeza. Foi ele quem recolocou o FC Porto na frente, com a celebração a rasgar a noite e os braços abertos a dizer tudo o que o marcador já sabia.

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FC PORTO 3-1 ESTRELA DA AMADORA 15 DE DEZEMBRO DE 2025 ESTÁDIO DO DRAGÃO
0-1, SAMU AGHEHOWA( 17’)( P) 1-1, ABRAHAM MARCUS( 60’) 1-2, FRANCISCO MOURA( 63’) 1-3, SAMU AGHEHOWA( 73 ')
Houve um instante em que o Estádio do Dragão ficou a preto e branco, como se a noite pedisse um susto para confirmar a coragem. Durou pouco. O FC Porto voltou a carregar no botão das cores vivas, venceu o Estrela da Amadora por 3-1 e fechou a 14.ª jornada com 40 pontos, o melhor registo de sempre dos azuis e brancos. A segunda-feira começou com a pressa certa. Um cruzamento logo de entrada, uma sequência de aproximações e, aos oito minutos, até um festejo interrompido pela bandeira: Samu marcou, mas o fora de jogo devolveu o marcador ao zero. Foi apenas um aviso, porque o FC Porto continuou a empurrar o jogo para a baliza sul, com Kiwior a lançar, Mora a ligar e Pepê a acelerar. Conservador, o adversário fechava-se enquanto os Dragões respondiam com paciência. O golo surgiu à força do detalhe. Alan Varela desenhou um passe longo,
Alberto Costa atacou a bola, chegou primeiro e acabou por ser derrubado na área. Penálti. Samu não quis poesia: remate seco, terceiro jogo consecutivo a abrir a contagem e mais um capítulo de eficácia num avançado que, como sublinhou o treinador, crescia na forma de“ interligar o jogo”. Depois o encontro mudou de temperatura. O FC Porto manteve o controlo, mas o ritmo baixou alguns graus e o intervalo trouxe aquela sensação perigosa de que“ está feito”. Não estava. À passagem da hora, Abraham Marcus empatou e a equipa respondeu ao único susto da noite sem entrar em dramatismos, como Farioli pede: sofrer pode acontecer, o importante é corrigir e reagir. Foi o primeiro golo de bola corrida sofrido no campeonato, observou o técnico,“ e isso diz muito”. Dizia também que, quando acontece, a resposta tem de ser imediata. E foi. Dois minutos depois, o empate já era memória. Num canto que ficou a morar na área, houve insistência, houve segundas bolas, e Francisco Moura apareceu com a decisão de quem não pede licença. Remate sem contemplações e um festejo que o próprio Farioli destacou como retrato de uma equipa que quer jogar“ sempre no limite”. Moura resumiu a noite sem rodeios:“ Dominámos o jogo e sofremos numa das poucas oportunidades”. O 3-1 chegou mais tarde, pelo corredor direito, com Rodrigo Mora a rasgar e a bola a ganhar vida própria na área. No relvado, chegou a parecer autogolo, mas o autor mudou de nome com a Liga Portugal a atribuir o golo a Samu. Ele, fiel ao instinto, já o tinha dito no fim:“ Eu toquei na bola”. Entre a dúvida e o crédito, ficou o que interessa: a tranquilidade regressou ao marcador e o FC Porto somou a 13.ª vitória em 14 jornadas num arranque histórico.
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