ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES
09
MOREIRENSE 1-2 FC PORTO 27 DE OUTUBRO DE 2025 ESTÁDIO COMENDADOR JOAQUIM ALMEIDA FREITAS
1-0, ALANZINHO( 18’) 1-1, SAMU AGHEHOWA( 49’) 1-2, DENIZ GÜL( 88’)
O FC Porto não liderava a liga por acaso. Em Moreira de Cónegos, onde durante anos se escreveram noites armadilhadas para quem se apresenta de Dragão ao peito, a equipa não só sobreviveu ao golo fortuito que caiu do nada como manteve a bola, o plano e a cabeça. Sofreu num desvio em Bednarek, empatou com sangue-frio de Samu e ganhou aos 88’, quando já toda a gente em redor começava a falar em dois pontos perdidos. O detalhe é importante: quem mandou no jogo do primeiro ao último minuto foi o líder, mesmo quando o marcador dizia o contrário. Depois havia aquele fenómeno delicioso que acontecia à frente de toda a gente e quase sem ruído: os miúdos e os novos não pediam licença, entravam e decidiam. Samu assumia penáltis com a naturalidade de quem sempre os bateu, Gabri Veiga ligava o meiocampo e arrancava faltas à beira da área como se o relvado fosse dele, Rodrigo Mora saía do banco sem medo do contexto, acertava no ferro e marcava cantos como quem assina coisas sérias. O FC Porto estava a ganhar pontos e, ao mesmo tempo, a ganhar nomes, o que não era comum em outubro. E depois havia Deniz Gül. O avançado entrou aos 73 minutos, apareceu onde tinha de aparecer aos 88’ e cabeceou para o 2-1 com aquela calma que irrita defesas e tranquiliza treinadores. Não foi um ressalto, não foi um acaso, não foi um balão, foi uma jogada de laboratório – canto de Mora, desvio de Kiwior ao primeiro poste, execução cirúrgica ao segundo. Gül saiu do banco para dizer que o jogo não ia acabar empatado e explicou por que razão aquele FC Porto continuava isolado no topo. Mesmo nos dias em que parecia“ só” mais uma vitória suada fora de casa, havia sempre alguém que escrevia o final certo. Francesco Farioli saiu de Moreira de Cónegos a dizer duas coisas que soam a programa e manifesto: primeiro, que“ as equipas voltaram a temer o FC Porto”, porque já baixvaam o bloco e defendiam dentro da própria área, o que“ é uma grande mensagem”; segundo, que ninguém se iludisse com calendário e classificação, porque“ o processo não se faz em apenas 16 semanas de trabalho”. Traduzindo: havia identidade competitiva, havia resultados, mas o treinador falava como quem ainda estava a construir.
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FC PORTO 2-1 SC BRAGA 2 DE NOVEMBRO DE 2025 ESTÁDIO DO DRAGÃO
1-0, RODRIGO MORA( 45’) 1-1, VÍCTOR GÓMEZ( 51’) 2-1, BORJA SAINZ( 79’)
Dez jornadas, nove vitórias, um empate e a tabela continuava azul no topo, com três pontos de almofada sobre o Sporting, quatro sobre o Benfica, e um lembrete delicado aos“ lugares europeus” de que o líder já tinha tomado o pulso ao segundo, terceiro, quarto, sexto e sétimo classificados. Samu e Rodrigo Mora dividiram a autoria do primeiro golo e Borja Sainz saiu do banco e escreveu o desfecho. Talvez tenha sido, até ao momento, o jogo mais difícil em casa, mas difícil não é sinónimo de impossível, é só outra palavra para espetáculo. Pelo meio, o FC Porto voltou a mostrar uma qualidade que costuma distinguir as equipas que andam apenas a ganhar das que realmente sabem o que estão a fazer. Não se deslumbrou com a vantagem, não se atrapalhou com a resistência do adversário e soube levar o jogo para um território onde a ansiedade alheia começava a pesar mais do que a própria urgência. Houve momentos de aperto, sim, mas quase sempre com a sensação de que o líder tinha consciência do enredo e mão firme no volante, mesmo quando a noite exigia mais paciência do que brilho. Farioli falou sobre um“ jogo muito aberto” e nas“ melhores oportunidades”, e os factos alinharam com as aspas. Grande equipa do outro lado, grande resultado do lado de cá: afinal, dois elogios cabem na mesma frase.“ Todos são importantes” – Farioli repetiu o refrão e Borja acrescentou a música. Entrou, cumpriu o que o“ mister pede no dia a dia” e recolheu o prémio de MVP. A utilidade pública das substituições ficou bem patente e com moldura. Gabri Veiga, o espanhol que prefere analisar as vitórias em vez de as festejar em piloto automático, lembrou que“ há coisas a melhorar”. Ainda bem, porque os melhores espetáculos têm sempre ensaio marcado para o dia seguinte.
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