Dragões #474 Mai 2026 | Page 18

ESPECIAL CAMPEÕES
MAIO 2026 REVISTA DRAGÕES

TRÊS VEZES ANTES DO TEMPO

A época de Oskar Pietuszewski mal tinha começado e já pedia espaço no arquivo. Entre a confiança de Farioli, a urgência do cronómetro e o peso de um clássico, o extremo polaco assinou três marcas de precocidade.

Oskar Pietuszewski chegou em janeiro com idade de promessa e pressa de protagonista. Em poucos dias, o extremo polaco deixou de ser apenas um nome para acompanhar com atenção e passou a ser matéria de registo, daqueles que obrigam a puxar a história para mais perto. A estreia ainda cheirava a novidade, mas já trazia com ela três marcas de precocidade. Tornou-se o estrangeiro mais jovem a entrar de início num jogo oficial dos Dragões, assinou o golo mais rápido da atual edição da liga desde o apito inicial e passou a ser o jogador mais novo do FC Porto a marcar num clássico. A primeira inscrição chegou na Choupana. A 15 de fevereiro de 2026, no Nacional-FC Porto, Francesco Farioli colocou Oskar no onze titular e a ficha de jogo ganhou imediatamente outro peso. Com 17 anos, 8 meses e 26 dias, o polaco tornou-se o estrangeiro mais jovem a ser titular pelo FC Porto em competições oficiais. Não marcou, não precisou. A simples presença no onze já bastava para abrir uma página nova. Antes do golo, antes do ruído, antes da consagração, houve esse primeiro sinal: a confiança de um treinador, a resposta de um miúdo e a sensação de que a idade, no caso dele, talvez fosse mais detalhe administrativo do que limite competitivo. Doze dias depois, no Dragão, Oskar resolveu fazer do relógio um adversário. Frente ao Arouca, o jogo mal tinha começado e já estava a ser reescrito. Bastaram 14:08 segundos, medidos desde o apito inicial até à bola cruzar totalmente a linha, para o extremo marcar o golo mais rápido dos mais de 22 anos de história do Estádio do Dragão e da atual edição da liga portuguesa. Na bancada, muitos ainda procuravam o lugar, quando, em campo, Oskar já tinha encontrado o caminho para a baliza. A imprensa arredondou o instante para 13 ou 14 segundos, mas o essencial ficou gravado sem necessidade de casas decimais: nenhum golo desta liga nasceu mais cedo. Faltava o clássico, território onde a idade deixa de servir de atenuante. A 8 de março de 2026, no Estádio da Luz, Oskar voltou a apresentar-se sem pedir autorização ao peso do cenário. Com 17 anos, 9 meses e 16 dias, marcou ao Benfica e tornou-se o jogador mais jovem do FC Porto a fazer golo num clássico. O lance trouxe ainda a imagem que a memória agradece: Otamendi sentado, a jogada a ganhar clareza e o remate a transformar precocidade em impacto. Não foi apenas um golo de um adolescente, foi um gesto de afirmação num dos palcos onde o clube percebe de que matéria são feitos os seus jogadores. Em menos de um mês, Oskar somou três marcas que explicam mais do que uma entrada feliz na equipa principal. Foi cedo para o onze, cedo para o cronómetro e cedo para a história dos clássicos. A época de estreia ainda podia ser lida como ponto de partida, mas já tinha qualquer coisa de capítulo especial.

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