Dragões #473 Abr 2026 | Page 67

BASQUETEBOL
ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES

Neste regresso à DRAGÕES, o camisola 11 fala de uma“ luta de recuperar bem e de recuperar o mais rápido possível”, pois para alguém que tem tanto FC Porto a correr-lhe no sangue é difícil estar de fora e não poder ajudar os companheiros dentro do campo. A cumprir a 13.ª época de azul e branco e com contrato até 2027, Miguel Queiroz confessa que não se imagina a vestir outra camisola e que tem o desejo de se retirar no Dragão Arena quando esse dia chegar. Para já,“ o meu maior sonho é voltar a trazer um título nacional para o basquetebol do FC Porto, para a cidade e para os adeptos, que merecem”. Palavra de capitão.

Quando sofreu a lesão no ombro num dos primeiros clássicos da época, sentiu logo que vinha aí um período considerável de paragem? Sim, já sabia o que estava pela frente. Na primeira vez que o ombro me saiu do sítio e depois de consultar vários médicos, inclusive o especialista que me operou, ele disse-me que dessa vez não era para operar, mas que poderia voltar a acontecer. Ele já me tinha explicado o que iria acontecer e, quando voltei a sentir aquela dor, sabia que ia ficar de fora durante algum tempo. Entrei bem naquele jogo, as coisas estavam a correrme bem, e sair assim de um clássico sem poder ajudar a equipa custou bastante. A dor maior que tive foi saber que ia estar de fora durante algum tempo.
Então naquela altura não havia outra opção que não operar, é isso? Já sabia que, se voltasse a acontecer, teria de ser operado. Sabia qual era a operação e o tempo de recuperação. Quando voltei a estar com o especialista que me operou, ele confirmou que tinha de ser operado, falou-me dos prazos de recuperação e cumpri o processo direitinho.
Que tipo de limitações enfrentava no dia a dia nas semanas seguintes à operação? O pós-operatório de uma cirurgia ao ombro é muito complicado. Lembro-me de acordar da cirurgia relativamente bem e com poucas dores devido ao analgésico que me aplicaram no nervo, por isso as primeiras 24 horas não foram muito más. Quando começa a passar o efeito do analgésico são mesmo muitas dores, não conseguia fazer muitas coisas, nem dormir direito. Graças a Deus tenho uma namorada incrível que me ajudou muito e que esteve sempre comigo, no hospital e em casa. Com o braço ao peito não conseguia fazer muitas coisas em casa e a minha namorada ajudou-me mesmo muito. As primeiras duas semanas após a cirurgia são muito complicadas e de muitas dores. Também já fui operado ao joelho, mas em termos de dores e dificuldade em fazer as coisas, é bastante pior.
Quando passou a pior parte do pósoperatório, que tipo de exercícios podia fazer para se manter ativo? A verdade é que, como atletas, temos sempre a necessidade de fazer alguma coisa. Se passado dois dias conseguisse mexer o ombro mais um bocadinho, já era uma vitória para mim. Poder vir ao Dragão Arena fazer qualquer tipo de tratamento já era uma vitória. As primeiras semanas são um pouco à base disso, de evoluções diárias. Todas as pequenas coisas na recuperação eram uma vitória. Felizmente correu muito bem.
Como descreveria o processo de recuperação? Foi muito duro para mim porque, além de ser complicado um atleta estar afastado da sua atividade, a equipa não passou um bom momento. Estando a ver de fora e não podendo ajudar dentro do campo, custou-me muito. O que me estava a custar mais era não poder ajudar a equipa dentro do campo sabendo que passou por um momento complicado. Isso foi o que me custou mais. Toda a gente me dizia que tinha de recuperar e felizmente foi o que aconteceu, mas na minha cabeça eu queria voltar o mais rápido possível para ajudar a equipa. No fundo, tinha esta luta de recuperar bem e de recuperar o mais rápido possível. Para mim, era fundamental estar ainda melhor fisicamente quando voltasse. No meio disto tudo e quase ninguém sabe, fui operado ao joelho durante a recuperação da cirurgia ao ombro, o que atrasou um pouco o processo. Acho que fiz um trabalho incrível, consegui voltar em boa forma e ajudar logo a equipa.
Há alguém a quem queira agradecer de forma particular pela recuperação? É complicado porque muita gente me ajudou, mas sem dúvida que a minha namorada foi incansável, ajudou-me mesmo muito. Agradeço ao médico que me operou e aos fisioterapeutas do FC Porto, a
“ ACREDITO QUE PODEMOS GANHAR TODOS OS JOGOS, SEJA QUAL FOR O ADVERSÁRIO. NO DIA EM QUE DEIXAR DE ACREDITAR, DEIXO DE JOGAR. PODEMOS GANHAR SEMPRE, TENHO ESSA CONFIANÇA.”
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