Dragões #473 Abr 2026 | Page 41

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ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES
O golo e o lugar
Alberto Costa precisou de um remate certeiro para dar corpo a uma ideia que já vinha nas palavras. Frente ao Famalicão, fez o primeiro golo de azul e branco, mas o lance valeu mais do que a estreia na lista de marcadores, soando a confirmação de um jogador que chegou ao Dragão por pertença e não por acaso. Em entrevista recente partilhada em todas as plataformas do FC Porto, tinha confessado que“ o clube do coração” dele“ falou mais alto”, tinha assumido que“ a pressão é um privilégio” e tinha deixado claro o sonho de ser campeão. No final do jogo, houve alegria pelo golo, mas também o travo amargo de quem percebe o sítio onde está, razão pela qual sublinhou que a equipa se preparou bem e lamentou não ter saído com a vitória. Talvez esteja aí o melhor retrato do momento. Tornou-se o 20.º jogador portista a marcar na atual edição da liga, mas falou como quem sabe que no FC Porto um golo só fica inteiro quando traz os três pontos agarrados. E essa exigência já lhe corre no sangue.
O herói das duas áreas
Aos 15 anos, João Afonso Sousa já descobriu que crescer é mudar de mapa. Deixou a Madeira e o Marítimo, instalou-se na Casa do Dragão e percebeu que no FC Porto a distância pode converter-se em pertença. Avançado de origem, com Rodrigo Mora como referência, está habituado a olhar para a baliza adversária como quem olha para o sítio certo. Frente ao Sporting, porém, o jogo resolveu brincar com o guião, porque houve cinco golos, duas expulsões e matéria suficiente para um clássico perder a compostura e ganhar memória. João entrou para fazer aquilo que se pede a um homem da frente e fê-lo bem, aparecendo no momento certo para marcar o 3-2 num livre direto batido com uma limpeza rara. Só que a história ainda não tinha terminado de lhe inventar tarefas. No meio do vendaval, o avançado teve de recuar até ao lugar mais improvável e acabou a defender a baliza portista com uma segurança pouco compatível com a idade, mas muito ajustada ao momento. Numa manhã em que o futebol decidiu espalhar as peças pelo tabuleiro, João Sousa fez de tudo um pouco e tudo com acerto: marcou como avançado, resistiu como guarda-redes e saiu do campo com o brilho invulgar de quem foi decisivo em mais do que um papel.
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