41 ANOS DE REVISTA
ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES outro capítulo escrito com a densidade dos grandes momentos. Não houve o manto branco de Tóquio, mas houve desgaste, nervos, penáltis, resistência e aquela sensação de fim de viagem que só os títulos planetários conseguem dar. O FC Porto voltou a ser campeão do mundo e a revista voltou a estar onde devia estar, junto do acontecimento, mas também junto da memória futura que ele inevitavelmente carregava. Os anos passaram, o estádio mudou, o clube renovou-se, e a Dragões foi assistindo ao aparecimento de novos talentos capazes de redefinir o tom de uma época. Hulk foi um deles. Talvez um dos mais cinematográficos de todos. Havia qualquer coisa de brutal na forma como entrava nos jogos, como se cada arrancada transportasse com ele uma ameaça real. O corpo, a potência, o remate, a violência limpa do gesto. Não era apenas eficaz, era impactante. Quando arrancava, o jogo parecia abrir-se à força, quando rematava, o estádio inteiro percebia que alguma coisa podia acontecer naquela fração de segundo. A revista apanhou-o no auge de uma equipa demolidora, exuberante, muitas vezes imparável. Ao lado dele, Falcao oferecia outra espécie de espetáculo, menos ruidoso, mais letal. Sabia aparecer, atacar o espaço, medir o tempo, elevar-se, tocar na bola com a limpeza dos grandes finalizadores. Em Dublin, no voo que decidiu a final da Liga Europa frente ao Sporting de Braga, coube-lhe condensar numa imagem tudo o que aquele FC Porto tinha de ambição e precisão. O cruzamento de Guarín, a suspensão no ar, o cabeceamento perfeito, a taça a aproximar-se. A revista, que em 1985 começara por acompanhar uma promessa de grandeza, encontrava-se ali, 26 anos depois, a registar mais uma noite europeia de consagração absoluta. É isso que talvez melhor defina o caminho da Dragões ao fim de 41 anos. Não apenas o facto de ter visto muitos títulos, muitos craques e muitas equipas memoráveis, mas a
Nesta capa de despedida, a Dragões fez o que a memória exige: agradecer a Jorge Nuno Pinto da Costa, o presidente mais titulado da história do futebol mundial, e ao homem que, ao sonhar um FC Porto maior, sonhou também esta revista.
Dublin, 18 de maio de 2011. Guarín desenhou o cruzamento, Falcao escreveu o desfecho. O voo que deu a Liga Europa ao FC Porto levou a assinatura do melhor marcador da prova, recordista de uma edição com 17 golos, numa equipa orientada por André Villas- Boas, ainda hoje o mais jovem treinador a vencer uma competição europeia de clubes.
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