41 ANOS DE REVISTA
ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES
A Dragões apareceu numa primavera de promessa e apanhou o FC Porto no momento exato em que começava a crescer para o mundo. De Viena a Dublin, de Madjer a Falcao, foi guardando o brilho, o ruído e a vertigem de um clube que transformou talento em conquista e conquista em memória.
Quando o
FC Porto cresceu para o mundo
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
Abril de 1985. Sonhada e lançada por Jorge Nuno Pinto da Costa, a Dragões ainda cheirava a tinta fresca quando começou a circular num país e num futebol que hoje parecem pertencer a outra era. As bancadas tinham outro rumor, as imagens chegavam mais devagar e os grandes momentos demoravam mais a ganhar um lugar definitivo na memória. À beira de conquistar o primeiro campeonato nacional da presidência que mudaria o clube para sempre, o FC Porto via nascer também a revista que passaria a guardar, edição após edição, os sinais dessa transformação. No início, ninguém podia saber ao certo até onde iria essa história, mas a Dragões começou a apanhá-la em movimento. Viu um FC Porto a crescer depressa, a ganhar corpo, a instalar-se nos lugares de decisão e a produzir jogadores que não precisavam de muito tempo para se fazer notar. Fernando Gomes já era a figura maior do golo, um avançado de precisão quase industrial e instinto raro, capaz de transformar semanas inteiras em rotina de remate e rede. Depois apareceu Futre, com aquela mistura de irreverência, aceleração e talento bruto que parecia incendiar o jogo a cada arranque. Havia nele qualquer coisa de cinema em câmara rápida, um futebol de faísca, rasgo e desafio, como se jogasse sempre com a urgência dos que sabem que o lance lhes pertence. A revista foi guardando esses sinais, ainda sem saber que estava a abrir um arquivo de grandeza. Dois anos depois de ter nascido, já acompanhava
Abril de 1985. Nesta primeira capa, a Dragões não se limitou a registar um momento, pressentiu uma era. E deu-lhe, desde logo, a forma rara das imagens que permanecem.
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