Dragões #473 Abr 2026 | Page 27

ENTRE LINHAS
ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES
Deniz Gül celebrou na Reboleira como quem sabia o valor de cada centímetro conquistado: dois golos, uma vitória e mais um passo firme na direção do título.
ESTRELA 1-2 FC PORTO
O título já era uma mera questão de aritmética, mas Francesco Farioli continuava a pedir que ninguém lhe servisse champanhe antes da sobremesa. Na Reboleira, o FC Porto venceu o Estrela da Amadora por 2-1, somou a 26.ª vitória em 31 jornadas da liga e ficou a uma vitória de transformar a liderança em título, essa distância mínima e imensa que separa o quase do para sempre. A tarde teve Deniz Gül como protagonista, a tabela mais azul do que na véspera e uma evidência difícil de contrariar: o FC Porto ficava uma vitória mais perto do objetivo. Chegou aos 82 pontos, manteve sete de vantagem sobre o Benfica e passou a ter dez sobre o Sporting, ainda com um jogo em atraso. O campeonato, essa prova de resistência, ia estreitando o corredor final e o Dragão continuava na frente desde o primeiro sopro da época. Na Amadora, porém, não houve proclamações, nem danças em cima da aritmética. Houve futebol suficiente para ganhar, inspiração bastante para decidir e uma segunda parte menos autoritária do que a primeira, como Deniz Gül reconheceu com simplicidade.“ É sempre importante marcar golos, mas o mais importante é ganhar os jogos”, disse o sueco, muito feliz por ter bisado, muito grato, mas já com o discurso amarrado ao próximo obstáculo. Farioli seguiu a mesma partitura. O título estava cada vez mais perto, mas o treinador italiano preferiu falar do Alverca, dos nove pontos ainda em disputa e da necessidade de continuar ligado ao presente.“ O passado é passado”, resumiu. O FC Porto estava a fazer“ uma época muito boa”, nas palavras do treinador, e a classificação não desmentia, mas Farioli sabia bem que os campeonatos também se perdem nos minutos em que se começam a festejar antes do tempo. Por isso, na Reboleira,“ não houve qualquer celebração a não ser a celebração de mais uma vitória”. Uma frase sem serpentinas, mas com muito método lá dentro. E enquanto a equipa somava pontos, o ruído tentava somar versões. Rumores, ecos, suposições e esse velho ofício de transformar o banco do FC Porto num mercado ao ar livre sopravam sobre o interesse do Chelsea no técnico italiano. Farioli fechou a porta sem teatralidade:“ Sou o treinador do FC Porto e estou feliz por estar aqui.” Bastou.
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