ENTRE LINHAS
ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES
FC PORTO 0:0 SPORTING
O FC Porto despediu-se da Taça de Portugal sem perder o clássico no Dragão, mas também sem conseguir derrubar a muralha de cálculo, pausas e conveniências que o Sporting trouxe de Lisboa. O 0-0 da segunda mão deixou os portistas fora da final por causa da desvantagem mínima da primeira, num daqueles desfechos em que o resultado final diz pouco sobre a diferença de ambição entre as duas equipas e demasiado sobre tudo o resto. Francesco Farioli não teve vontade de dourar o que lhe pareceu evidente. No entendimento do treinador, o FC Porto“ dominou por completo o Sporting em todos os momentos, com onze e com dez jogadores”, esmagando o adversário“ a todos os níveis”, perante um rival mais preocupado em perder tempo do que em discutir o jogo. A leitura pode soar dura, mas teve o peso das imagens e da sensação que ficou no estádio: uma equipa a querer jogar, a outra a querer que o relógio jogasse por ela. No rescaldo da eliminação, Farioli voltou a tocar num tema que o acompanha desde o início da época e que já lhe consome mais energia do que paciência. Sem precisar de elevar demasiado o tom, deixou a ideia de sempre: houve lances cedo demais e claros demais para continuarem a passar por acidentes de percurso. Quando lembrou que,“ aos sete minutos”, o Sporting podia ter ficado reduzido a dez, o técnico não estava apenas a discutir um episódio, estava a falar de um padrão. E quando acrescentou que“ toda a gente viu e vê”, não pareceu interessado em convencer ninguém, apenas em recusar a cegueira conveniente.
Também Jan Bednarek apontou ao essencial. Para o central, faltou mostrar um cartão vermelho a Gonçalo Inácio num lance que“ podia ter mudado o jogo” e no qual até a falta sobre William Gomes ficou por assinalar. O defesa falou com a secura de quem já desistiu de enfeitar a indignação e com a lucidez de quem sabe separar o ruído do essencial. A Taça tinha ficado para trás, mas o campeonato continuava inteiro e intacto. E era aí que o FC Porto, líder da liga, era chamado a responder. Farioli falou num grupo com“ muito desejo de ganhar”, garantiu que“ o FC Porto está de volta” e atirou-se de frente ao objetivo que restava cumprir. Depois de uma meiafinal em que faltou justiça ao marcador, a melhor resposta possível continuava a ser a mais antiga de todas: ganhar.
William Gomes ganhou o lance, o espaço e a frente. Faltou apenas que alguém quisesse ver o óbvio.
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