ENTRE LINHAS
ABRIL 2026 REVISTA DRAGÕES
William Gomes ficou a centímetros de mudar a noite, mas a trave devolveu-lhe um remate que já levava meio golo dentro.
FOREST 1:0 FC PORTO
Ficou uma derrota, saiu uma eliminação e manteve-se uma evidência: por vezes, a matemática do futebol engana. O FC Porto jogou mais de 80 minutos com dez homens em Nottingham, sofreu num golo fortuito de Morgan Gibbs-White e ainda assim encontrou forças para discutir a eliminatória até ao fim. Acertou duas vezes nos ferros, por William Gomes e Alan Varela, e obrigou o City Ground a assistir a um paradoxo curioso, o de uma equipa em inferioridade numérica que, por largos momentos, se recusou a comportar-se como tal. A expulsão precoce de Jan Bednarek retirou um jogador, mas não retirou intenção. E isso, neste tipo de cenário, já diz bastante. O FC Porto soube ser agressivo, competitivo e emocionalmente inteiro, como sublinhou Francesco Farioli, e chegou mesmo a deixar a sensação de que o desequilíbrio do jogo não estava onde mandava a folha oficial. Faltou o golo, essa pequena partícula com poder desproporcionado para reescrever noites inteiras. Também por isso, a leitura do treinador faz sentido quando recusou concentrar a eliminação apenas nos noventa minutos ingleses. A Europa costuma ser pouco caridosa com quem desperdiça demasiado cedo o que constrói bem.“ Não perdemos a eliminatória em Nottingham, perdemos no Dragão”, resumiu Farioli, e a frase tem a utilidade rara de dispensar ornamentos. Diogo Costa disse que perder“ custa muito”, e custa ainda mais quando se perde assim: com sinais de vida, com capacidade de resistência, com a sensação desconfortável de que a história podia ter inclinado para outro lado. Ainda assim, o capitão preferiu sublinhar o essencial: o orgulho em ser portista, a união do grupo e a ambição de lutar pelos dois títulos internos. É uma boa forma de encerrar o capítulo europeu, sem o dourar e sem o rasgar. O FC Porto saiu de Inglaterra fora da Liga Europa, mas não fora de si e, por vezes, essa diferença é tudo o que separa um fim de um simples ponto de passagem.
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