Dragões #472 Mar 2026 | Page 71

ANDEBOL
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ DOU O MÁXIMO TODOS OS DIAS PORQUE ESTAR NO FC PORTO É UMA EXIGÊNCIA ENORME. VOU TRABALHAR SEMPRE PARA PODER CORRESPONDER ÀS EXPECTATIVAS DOS ADEPTOS.”

Já se sagrou vice-campeão europeu de sub-20, vice-campeão mundial de sub-21, campeão nacional e soma dez internacionalizações pela seleção principal, tudo isto aos 20 anos. A que se deve tanto sucesso? É tudo fruto do trabalho. Dou o máximo todos os dias porque estar no FC Porto é uma exigência enorme. Este clube vive de títulos e eu adoro estar aqui. Vou trabalhar sempre para poder corresponder às expectativas dos adeptos.

Nasceu no Porto e é um portista de gema. Como surgiram os primeiros contactos com o andebol e com o FC Porto? Não foi fácil. Eu jogava râguebi, tive uma lesão no pé e fiquei parado durante dois meses. A minha professora do infantário dizia que eu era esquerdino e que tinha muito jeito para o andebol, então fui experimentar no Boavista e assim se deu o meu começo na modalidade.
Lembra-se de algum momento que o cativou ainda mais para essas duas paixões? Os meus pais seguiam muito atentamente as modalidades do FC Porto, eu via sempre com mais entusiasmo o andebol. Adorava ver e isso despertou-me mais interesse.
Quem eram os seus ídolos do clube e da modalidade na adolescência? O meu ídolo do FC Porto era o António Areia, sempre o tive como uma referência, e fora do clube sempre olhei para o Luc Abalo.
Aos 10 anos era mini no Boavista, aos 11 já jogava nos sub-14, aos 12 estava nos sub-16 da Académica de São Mamede, aos 13 chegou ao clube do coração, aos 14 alinhava nos sub-20 e aos 15 tornou-se sénior. Como é que se deu essa progressão tão rápida? Principalmente pela minha paixão pelo andebol. Amo jogar andebol, é a minha vida. Entrar em todos os treinos para dar tudo e ver o trabalho a ser recompensado é muito gratificante.
Sempre jogou na ponta direita? Quando comecei no Boavista, jogava a lateral direito também, mas desde que vim para o FC Porto que sempre joguei na ponta direita.
Já tinha o objetivo de fazer do andebol a sua profissão nessa altura ou só pensava em crescer e aproveitar o momento? Quando dei os primeiros passos, no Boavista, não pensava em chegar tão longe, até porque não sabia que era capaz, mas à medida que me mudei para a Académica de São Mamede e para o FC Porto e fui vendo que poderia dar certo, acreditei cada vez mais e agora estou muito feliz aqui.
2022 / 23 foi uma época memorável. Marcou mais de uma centena de golos na equipa B e estreou-se na equipa principal com 17 anos. Que memórias guarda desse ano e especificamente daquele jogo frente ao Santo Tirso? Ser chamado à equipa principal pela primeira vez foi um momento inesquecível. Tinha ido a um torneio em França, quando as competições de clubes estavam paradas devido ao Mundial, e também foi muito bom, mas esse primeiro jogo oficial pela equipa A foi extraordinário e vou lembrá-lo para sempre. Ainda me lembro do meu golo e da minha t-shirt no balneário.
Como foi esse primeiro golo? Estávamos num momento de transição, o Mamadou Diocou, que estava a lateral direito, passou-me a bola e eu coloquei-a junto ao primeiro poste.
O nervosismo era muito? Muitíssimo. Lembro-me de estar no carro com a minha mãe a ir para o Dragão Arena e dela a tranquilizar-me e a dizer-me que ia jogar bem e que ia marcar golo. Depois passou, porque era aquele nervosismo bom, e no final sentia-me muito bem por ter jogado bem e marcado o meu primeiro golo. Deu-me ainda mais vontade de trabalhar para continuar a ter oportunidades na equipa principal do FC Porto.
Com esses minutos, sagrou-se campeão nacional. Que significado teve esse primeiro título apesar do pouco tempo de jogo?
71