Dragões #472 Mar 2026 | Page 63

HÓQUEI EM PATINS
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES

Foi na“ segunda casa” de Carlo Di Benedetto que o francês confirmou o desejo de jogador e clube. Com o Dragão Arena como palco de fundo, o internacional francês prolongou o vínculo que o liga ao FC Porto até 2030, uma continuidade que o deixa“ muito feliz”.“ A verdade é que no final dos próximos quatro anos serão 11 temporadas aqui, algo em que nunca tinha pensado. Deixa-me muito orgulhoso, mas também me traz ainda mais responsabilidade, porque sei que não é renovar por renovar, é para continuar a ganhar títulos”, começou por dizer o camisola 19 dos Dragões. Numa caminhada que trouxe mais momentos felizes do que difíceis, Carlo não se arrepende desta viagem. A mudança deu-se em 2019, proveniente do Liceo da Corunha, e o processo evolutivo tem sido enorme.“ Tanto dentro como fora de campo, acredito que amadureci muito”, admitiu. Desde cedo, contudo, o golo e o stique de Carlo Di Benedetto têm uma relação de proximidade. Nos primeiros meses de azul e branco, faturou na Supertaça e levantou o primeiro de nove troféus em sete épocas, que seriam dez títulos não fosse a lesão sofrida antes da Taça Continental que a equipa venceu em Voltregà. Neste período, também foi distinguido como Dragão de Ouro, um feito“ fantástico” e que se tornou mais emblemático pelas palavras que o hoquista dirigiu ao universo azul e branco.“ Disse o que sentia e sinto. O FC Porto não é um clube em que se joga hóquei em patins e pronto. O FC Porto sentese 24 horas por dia, sente-se nas ruas e em todas as modalidades. É a realidade deste bonito clube e da cidade. Sinto-me muito orgulhoso por fazer parte disto tudo”, admitiu o hoquista que alcançou a marca dos 300 jogos de Dragão ao peito e já patina para o golo 400.

PORTISTA NASCIDO EM FRANÇA Foi nos arredores de Paris, em Noisy-le- Grand, que Carlo Di Benedetto nasceu a mais de 1500 quilómetros do Dragão Arena, pavilhão em que faria história. Aliás, já as férias de verão são demasiado longas, porque o francês só se imagina a patinar na sua“ segunda casa”.“ Passo aqui muitas horas. Muitas vezes estou em casa com vontade de estar aqui e a marcar golos perante os nossos adeptos. Jogar,
“ O FC PORTO NÃO É UM CLUBE EM QUE SE JOGA HÓQUEI EM PATINS E PRONTO. O FC PORTO SENTE-SE 24 HORAS POR DIA, SENTE-SE NAS RUAS E EM TODAS AS MODALIDADES. É A REALIDADE DESTE BONITO CLUBE E DA CIDADE. SINTO-ME MUITO ORGULHOSO POR FAZER PARTE DISTO TUDO.”
marcar e festejar neste palco é incrível”, até porque os adeptos do FC Porto espelham na perfeição“ a grandeza do nosso clube”.“ Lembro-me que quando cheguei, era o Guillem Cabestany o treinador, ele disse-me que com o passar do tempo as pessoas iam reconhecer-me na rua. Na altura não acreditava, mas é muito verdade. Isto faz-nos dar mais, pois sabemos que não jogamos só para nós, jogamos para muito mais gente que quer festejar títulos connosco”. Nestes sete anos de FC Porto, o camisola 19 dos Dragões destaca o primeiro campeonato conquistado e ao qual atribui um sentimento especial.“ Lembrome que as bancadas do Dragão Arena estavam cheias, foi o jogo 5 com o Benfica. Estávamos muito nervosos antes do jogo, não nego, mas o pavilhão estava cheio e tínhamos a noção de que era o último jogo da época, só podíamos vencer. Foi o primeiro campeonato que voltou a ter os adeptos nas bancadas após a pandemia. Quero muito viver tudo isso outra vez, é muita felicidade”, sublinhou, até porque os outros dois campeonatos ganhos foram celebrados longe da cidade do Porto. O segundo, na Luz, foi também um dos mais marcantes,“ pela forma que se venceu e por toda a época, sem esquecer que ganhar um título fora é sempre mais difícil”, bem como a Champions conquistada em Viana do Castelo:“ É o título que todos sonhamos conquistar. Qualquer jogador, seja ele português, francês, argentino ou de outra nacionalidade, sonha um dia ganhar a Liga dos Campeões. Fugiu durante muitos anos ao FC Porto e sabíamos da importância que tinha. Foi um título muito especial”.
AINDA A CRESCER Sempre ambicioso, Carlo Di Benedetto aponta para um futuro de sucesso, que se estende para lá do Dragão Arena.“ O meu grande objetivo como atleta é vencer um título pela seleção francesa. É algo que sonho desde miúdo e, nessa altura, diziam-me que era impossível. Quando estava no Liceo, cheguei a dizer que ia vencer um troféu pela França no balneário e todos se riram, por perceberem o quão improvável era. Agora, sabemos que é possível”, observou Carlo, que ao lado dos
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