Dragões #472 Mar 2026 | Page 43

Anatomia do golo
GOLO REI
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES

Stade de Gerland, 7 de abril de 2004. O FC Porto apresenta-se em Lyon com a vantagem de 2-0 conquistada na primeira mão dos quartos de final. Num jogo“ equilibrado”, contra uma equipa“ extremamente forte fisicamente” e recheada de talento, Maniche escolhe como golo de uma vida o segundo dos dois que fez nessa noite.“ Pela jogada, pela finalização e pelo prestígio que envolve a competição”, explica o autor. Foi ali, entre a triangulação, o cruzamento de Deco e a chegada à área, que o sonho azul e branco começou a ganhar a forma de destino. A vantagem construída no Dragão, com golos de Deco e Ricardo Carvalho, não permitia distrações. Do outro lado estava um Lyon maduro, musculado e habituado a discutir jogos grandes com naturalidade. Era uma equipa em plena ascensão, a consolidar a hegemonia doméstica e já lançada na série de sete títulos consecutivos que marcaria o futebol francês.“ Tínhamos feito uma primeira mão fantástica em casa, mas sabíamos que o jogo

ia ser muito complicado”, recorda Maniche. O aviso surgiu cedo, logo aos três minutos: Luyindula marcou, mas o lance foi invalidado por fora de jogo. A eliminatória mantinha-se viva, inquieta, com aquele ruído de fundo próprio das noites europeias em que um desvio pode mudar tudo. O FC Porto reagiu como as equipas que sabem onde estão e ao que vão.“ Começámos a assumir o jogo”, resume o médio, autor também do primeiro golo da noite. O Lyon respondeu, empatou, manteve o encontro num equilíbrio febril, mas o momento que ficou guardado para sempre estava ainda para chegar. Para Maniche, não há dúvida na hora da escolha:“ Esse sim, é o meu golo de eleição, o meu golo rei.” A forma como o descreve ajuda a perceber porquê.“ Acima de tudo, pela jogada, pela triangulação [ entre Alenichev, Nuno Valente e Carlos Alberto ] antes de chegar ao cruzamento do Deco, que me deu a possibilidade de fazer um grande golo.” O remate vive da execução, mas nasce muito antes dela. Nasce da circulação, da leitura,
Anatomia do golo

Foi ali, entre a triangulação, o cruzamento de Deco e a chegada à área, que o sonho azul e branco começou a ganhar forma de destino.

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Competição Champions, quartos de final, 2.ª mão Jogo
Lyon 2-2 FC Porto Estádio Stade de Gerland Data 7 de abril de 2004 Minuto 47’ Tipo de golo Chegada à área e finalização de pé direito, após jogada trabalhada e cruzamento de Deco
Assistência Deco Relevância Confirmou o apuramento para as meias-finais da Liga dos Campeões
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