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MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES
É isso que faz deste lance algo maior do que o próprio resultado. Não foi apenas o rasgo de um miúdo sem medo, nem uma curiosidade estatística com brilho de ocasião, foi um momento em que o passado e o presente se tocaram. Carlos Nunes, Serafim e Oskar Pietuszewski pertencem a tempos, ritmos, táticas e linguagens diferentes, mas ficam agora ligados pela mesma linha do tempo e da memória, com o polaco a abrir uma nova página no topo do arquivo. No final do jogo da Luz, Pietuszewski não falou como quem tinha acabado de entrar para a história, mas como quem ficou incomodado por não ter trazido os três pontos. Assumiu a frustração pelo empate, disse que o FC Porto merecia mais e deixou uma ideia que encaixa no momento da equipa: continua tudo em aberto. O golo deu-lhe um lugar na história, mas as palavras mostraram que queria mais.
Carlos Nunes vs Benfica 18 anos, 5 meses e 8 dias
Serafim vs Sporting 17 anos, 11 meses e 8 dias
Carlos Ferreira da Silva Nunes, nascido no Porto a 20 de dezembro de 1914, foi um dos avançados mais marcantes do FC Porto nos anos 30. O nome ficou preso à história dos clássicos por causa de uma tarde gigantesca, a de 28 de maio de 1933, em que o FC Porto venceu o Benfica por 8-0, na primeira mão dos quartos de final do Campeonato de Portugal. Foi dele o oitavo e último golo do encontro que proporcionou um resultado que ainda hoje ocupa um lugar especial na memória azul e branca. Tinha então 18 anos, 5 meses e 8 dias. Durante praticamente um século, esse remate valeu-lhe o estatuto de mais jovem jogador do FC Porto a marcar num clássico com o Benfica, até surgir Oskar Pietuszewski.
Manuel Serafim Monteiro Pereira nasceu em Rio Tinto, no concelho de Gondomar, a 25 de julho de 1943, e foi um avançado de pé canhoto que entrou cedo na história portista. A 3 de julho de 1961, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, marcou os dois primeiros golos do triunfo do FC Porto sobre o Sporting por 4-1. Tinha então 17 anos, 11 meses e 8 dias. Durante décadas, esse bis frente aos leões resistiu como a referência de precocidade azul e branca nos clássicos. O golo de Oskar Pietuszewski na Luz redefiniu o quadro geral, mas não alterou esse dado particular: frente ao Sporting, o nome que continua no topo é o de Serafim.
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