Dragões #472 Mar 2026 | Page 36

GUARDA FACTOS
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES

Um

clássico com nome próprio

O golo de Oskar Pietuszewski na Luz teve um efeito raro. Correu mundo pela execução e ficou a ganhar peso no arquivo. Quando o extremo polaco deitou Otamendi e ampliou a vantagem azul e branca, não protagonizou apenas um lance de talento e sangue-frio num dos palcos mais exigentes da liga. Aos 17 anos, 9 meses e 16 dias, consumou também uma ultrapassagem histórica e tornou-se o mais jovem jogador do FC Porto a marcar num clássico.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA

O alcance do feito percebe-se melhor quando se olha para trás. No caso particular dos clássicos com o Benfica, Pietuszewski superou um recorde com mais de nove décadas, batendo a marca de Carlos Nunes, que tinha 18 anos, 5 meses e 8 dias quando fechou as contas do histórico 8-0 de 28 de maio de 1933. Naquela tarde, no Campo da Constituição, e com arbitragem do espanhol Pedro Escartín, os Dragões golearam os encarnados e deixaram pouco para discutir na segunda mão dos quartos de final do Campeonato de Portugal. Se o capítulo com Benfica bastava para colocar o nome de Oskar na história, o confronto direto com o Sporting reforça ainda mais a dimensão do momento. Aí, o nome a recuperar é o de Serafim, que marcou aos leões a 3 de julho de 1961, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, e fê-lo com 17 anos, 11 meses e 8 dias. Naquela tarde nas Antas, apontou mesmo os dois primeiros golos do triunfo por 4-1, um registo que parecia destinado a durar para sempre. Ao marcar, também ele, antes de atingir a maioridade, Pietuszewski tornou-se o mais precoce de todos os jogadores do FC Porto a deixar marca nos clássicos, retirando 55 dias ao registo de Serafim.

36