Dragões #472 Mar 2026 | Página 27

ENTRE LINHAS
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES
VfB STUTTGART 1:2 FC PORTO
Rodrigo Mora festeja o golo que reforçou a vantagem portista em Estugarda e deu ainda mais corpo a uma exibição de peso.
Ao terceiro jogo consecutivo longe de casa, e ao terceiro teste de máxima exigência, o FC Porto respondeu como as equipas sérias costumam responder quando o contexto aperta. Com personalidade, profundidade de plantel e uma vitória de peso num terreno onde quase ninguém passa. O 2-1 em Estugarda não fechou rigorosamente nada, mas abriu muito. Abriu caminho, perspetiva e, acima de tudo, reforçou a ideia de que esta equipa sabe competir quando a temperatura sobe. A noite alemã deixou uma evidência que vai muito além do resultado. Francesco Farioli mexeu a fundo no onze, lançou oito novidades e recebeu da equipa uma resposta sem tremuras. Moffi e Rodrigo Mora fizeram os golos, mas o dado mais relevante talvez seja outro. Num dos estádios mais difíceis da época, o FC Porto voltou a mostrar que não vive de uma fórmula fixa nem de uma dúzia de nomes repetidos até à exaustão. Há estrutura, há alternativas e há uma noção cada vez mais sólida de coletivo. Farioli fez questão de travar qualquer entusiasmo prematuro e fez bem. Quando insiste que“ nada está feito”, não está a vestir uma prudência protocolar, está apenas a descrever a realidade. Uma vantagem de um golo, diante de uma das equipas mais fortes da Bundesliga, vale respeito, não euforia.
O treinador percebeu isso antes de todos e leu o jogo pelo prisma certo. Foi um excelente resultado porque nasceu de uma exibição densa, madura e competitivamente muito rica, não porque permita relaxar um milímetro. Também por isso a vitória diz tanto sobre a mentalidade do grupo. Diogo Costa, Rodrigo Mora, Pepê e Pablo Rosario tocaram todos, por caminhos diferentes, na mesma tecla: a eliminatória continuava em aberto e o que aconteceu em Estugarda só ganharia verdadeiro valor se tivesse continuidade no Dragão. Há ainda um detalhe que não deve passar ao lado. Ganhar em Estugarda não foi apenas ganhar fora. Foi fazê-lo depois de uma sequência de deslocações duríssimas, perante um adversário de qualidade física e organizativa muito elevada, e com contributos decisivos de quem entrou de início e de quem saiu do banco. Rosario sublinhou a entreajuda e talvez tenha sido essa a palavra mais certeira da noite. O FC Porto não ganhou apenas com talento ou inspiração, ganhou com compromisso, sacrifício e um sentido coletivo que raramente falha nos jogos a doer. O FC Porto foi à Alemanha fazer o que poucas equipas conseguiram e regressou com uma vantagem justa, uma exibição robusta e a obrigação de não estragar em casa o que construiu fora.
FC PORTO 3:0 MOREIRENSE
De volta ao Dragão 72 horas depois de vencer em Estugarda, o FC Porto não se limitou a somar mais três pontos. Impôs novamente a cadência, voltou a mostrar profundidade de soluções e despachou o Moreirense com a serenidade de quem percebe o momento da época e se recusa a deitar fora energia, foco ou vantagem. O 3-0 da 26.ª jornada não resolveu rigorosamente nada, mas ajudou a desenhar melhor a paisagem. A equipa continuava na frente e ia empurrando a pressão para o lado dos outros. O FC Porto entrou forte, foi intenso quando tinha de ser intenso, soube baixar a rotação quando o jogo o permitiu e teve sempre a mão no guiador. Gabri Veiga
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