TEMA DE CAPA
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES
ENTRE CARRIS E RAÍZES
Num passeio de elétrico pela marginal do Porto, Alberto Costa fala da cidade que ainda está a descobrir, da casa de onde a observa todos os dias e de um modo de estar que encaixa naturalmente no FC Porto. Entre a Foz, a Afurada, Santo Tirso e os Aliados, o lateral revela-se como joga. Com sentido de missão e sem poupar esforço.
Que sensação te transmite andar nestes carris, ferro sobre ferro, algo que nunca tinhas experimentado? É uma sensação mais turística. Já conheço o Porto, mas não a fundo, porque sou de Santo Tirso, mas agora vim morar para cá. Tenho consciência de que não conhecia o Porto no total.
Quando eras mais miúdo vinhas ao Porto de vez em quando, não é? Que ideia é que tinhas do Porto que agora mudou? É mesmo esta parte, a Foz, os Aliados. Quando era mais pequeno cheguei a ir ao Parque da Cidade, para jogar à bola. Pelo centro, do que me recordo, nunca andei.
Mas hoje és mais turista também. Nos tempos livres, o que é que tu gostas de fazer na cidade? Nos tempos livres, normalmente quando venho à cidade é para almoçar ou jantar. Gosto de ficar mais pela minha zona, passear nos passadiços ou andar de carro, dar uma voltinha com a minha namorada.
A tua zona é na margem sul. Estamos a passar por baixo da Ponte da Arrábida e eu diria que quase consegues ver a tua casa. Moras ali na zona da Afurada e tens a oportunidade de olhar para o Porto todos os dias. O que gostas mais de fazer quando estás em casa? Agora estou mais numa de jogos de tabuleiro. Jogo com a minha namorada ou com os meus amigos.
Não deixa de ser engraçado, porque um jogo de tabuleiro é quase como um jogo de futebol, é tudo estratégia e o futebol cada vez mais parece um jogo de tabuleiro. Sentes que isso também te ajuda em termos de elasticidade mental a ocupares os espaços que o treinador te define?
Eu não diria assim, acho que não o associava tanto. Quando era mais novo jogava muito PlayStation, estava em chamada com os amigos e jogávamos PlayStation a tarde toda. Agora é mais difícil conciliar esse tempo e creio que os jogos de tabuleiro, quando dá para jogar, acabam por ser mais fáceis. Por vezes, quando vamos para estágio, jogo xadrez com o [ Francisco ] Moura no caminho para o hotel.
Xadrez com tabuleiro? Não, já com telemóvel.
O elétrico não anda pela cidade como um autocarro, tem uma missão que desempenha entre uma estação e outra, é um pouco como tu: tens a tua estação defensiva e a tua estação ofensiva num percurso que percorres vezes sem conta. É um espírito de missão ser um lateral como tu, que faz tantos sprints, tantos quilómetros entre a estação defensiva e a estação ofensiva? Quando entras em campo sentes que vais para desempenhar uma missão naquele momento? Sim, e depois a missão é toda em prol da equipa. É o que eu tento dizer: se tiver de dar 50, só 20, seja o que for, é para a equipa. É assim que penso, se tiver de dar mais um bocado, desde que ajude a equipa a ganhar …
E o Porto tem ganho muito até o momento em que estamos a fazer esta entrevista, e tu basicamente és olhado como alguém cujo espírito tem muito a ver com esta cidade. Sentes que estás naquele clube que é o teu, naquele em que esse teu espírito de missão mais se coaduna com o espírito do clube? Sim, sinto que este é o meu ADN, identifico-me muito com estas raízes.
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