Dragões #472 Mar 2026 | Page 15

TEMA DE CAPA
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES semelhanças na forma de jogar. Algumas diferenças também, mas a nível de objetividade, temos muitas semelhanças.
Quando foste para a Juventus, cruzaste fugazmente com o Danilo. Como é que foi estares com alguém que tinha sido uma referência para ti? Foi top, foi incrível, foi uma sensação muito boa, porque também cheguei àquele contexto mais introvertido e, por acaso, o Danilo foi um dos que me pôs mais à vontade. Deu-me logo ali umas palavras de boas-vindas que caíram muito bem.
Quando é que começas a sentir que estás preparado para chegar à equipa principal do Vitória? Há um momento, há um clique, há uma temporada que te correu especialmente bem? Tive temporadas nos juniores que correram muito bem, mas, quando cheguei à equipa B, levei um choque de realidade, especialmente quando treinávamos com a equipa principal. Precisei de adaptação, mas a partir do momento em que fiz a pré-temporada com a equipa principal e fiz um jogo com o Rio Ave em que me senti muito confortável, mesmo jogando a central, percebi que estava enquadrado. Tinha revelado bons níveis de confiança, concentração, calma e capacidade para ler o jogo. Senti que tinha corrido bem, senti aquele clique.
Teres jogado na Liga 3, com jogadores mais experientes, ajudou no processo de crescimento e afirmação? Sim, muito. Mas foi pelos 18 ou 19 anos que a ficha caiu, que senti que poderia chegar ao topo.
Depois começas a treinar regularmente com a equipa A. Lembras-te do momento em que treinar com a equipa principal se tornou um hábito? A primeira vez em que fui chamado foi com o Moreno [ Teixeira ], mas sinto que com o Álvaro [ Pacheco ] foi mesmo o primeiro momento em que me senti integrado na equipa principal e que o treinador olhava mais para mim como opção. Apesar de ter tido pouco tempo de jogo, foi com ele que me estreei e senti que ele olhava para mim como opção. Se ele tivesse de me lançar, lançava, e eu tinha a noção de que trabalhava todos os dias para merecer a oportunidade. Houve alturas em que ficava frustrado, queria a minha oportunidade, mas também percebia que a equipa estava muito bem. Sentei e pronto, tinha de esperar.
Depois de seis jogos consecutivos no banco de suplentes, fazes a tua estreia frente ao Penafiel, num jogo da Taça de Portugal. Quais foram as sensações que te dominaram? Foi tudo muito rápido, foi a concretização de um sonho de miúdo. O primeiro jogo que fui ver no Estádio D. Afonso Henriques foi contra o Braga e, logo ali, foi uma sensação tremenda, parece outro mundo. E estar eu lá dentro, no relvado, com as pessoas na bancada a assistir, foi uma sensação inexplicável.
Na época seguinte, foste conquistando o teu lugar. Foste titular logo no jogo com o Astana da Liga Conferência, fizeste
" DEI UM GRANDE SALTO [ NA JUVENTUS ] E AQUELE SONHO DE MIÚDO DE JOGAR PELO CLUBE DO MEU CORAÇÃO ACABOU POR FALAR MAIS ALTO."
21 jogos, um golo, três assistências e começou-se logo a reparar no menino que aparecia no Vitória. Alguma vez essa projeção repentina te subiu à cabeça? Não, nunca. Mantive-me sempre igual e até estranhava o facto de as pessoas virem ter comigo. Eu idolatrava os outros, os que jogavam, mas achava estranho que os adeptos me pudessem idolatrar.
À noite, quando te deitavas e conversavas com o travesseiro, passava-te pela cabeça que um dia pudesses usar o emblema que hoje usas ao peito? Claro, era um sonho. Era ser campeão português pelo FC Porto.
Disparaste em termos de visibilidade e acontece-te um cenário impensável. Falava-se no interesse dos grandes, mas acabaste por ir para Turim. Como recebeste a notícia de que ias para a Juventus?
Fiquei a saber do interesse da Juventus antes do jogo com o Elvas. Depois foi tudo muito rápido, foi um misto de emoções, mas senti que era o melhor a fazer, que era o melhor projeto.
Foste por uma soma importante, mais de 12 milhões, e tens logo uma troca de treinadores. Entras com o Thiago Motta e depois fica o Igor Tudor. Foste em crescendo, chegas ao Campeonato do Mundo de Clubes como titular, estás a estabelecer-te em definitivo na Juventus e, de repente, aparece o FC Porto interessado em ti? Foi também um misto de emoções. Dei um grande salto e aquele sonho de miúdo de jogar pelo clube do meu coração, fixando-me no campeonato português, acabou por falar mais alto e por ser o melhor para o meu crescimento.
Para o teu crescimento também terá contado muito o tempo que estiveste em Turim. De repente, ficas numa cidade diferente, com uma língua diferente. Isso também te permitiu crescer e chegar ao Porto mais maduro? Sim, fez-me crescer. Fui com a minha namorada e, mais tarde, íamos tendo as visitas dos nossos pais aos fins de semana. Foi uma experiência muito diferente, mas sinto que me dei bem e que me fez crescer muito. Gostei imenso.
Quando chegaste ao FC Porto estavas radiante e disseste que parece que tudo aconteceu no momento certo. Tinhas de passar por todo este processo até chegares aqui? Acredito que tudo tem uma razão e que as coisas acontecem nos momentos certos, por isso tenho 100 % de certeza de que estou a seguir o caminho certo.
Como foi a tua chegada? O que te pediu o presidente? O que te pediu o Jorge Costa, na altura o diretor do futebol? Fizeram-te algum pedido especial? O presidente escreveu-me uma cartinha de que gostei imenso e que me tocou, mas não houve pedidos especiais. Sou aquele tipo de pessoa a quem não é preciso dizer muito para que eu coopere com a equipa.
És alguém mais de fazer do que de falar, preferes correr a falar. Foi isso que também transmitiste? Diria que sou uma pessoa mais introvertida, mas é verdade. Depois, no campo, é que se vê a verdade.
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