Dragões #472 Mar 2026 | Page 13

TEMA DE CAPA
MARÇO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ O MEU FOCO SEMPRE FOI SER JOGADOR DE FUTEBOL. NA VERDADE, NÃO ME IMAGINAVA A SER OUTRA COISA QUE NÃO FOSSE SER JOGADOR DE FUTEBOL.”
O Guarín era um jogador exuberante, fortíssimo fisicamente. Tu, em criança, já demonstravas esta força que tens. Em termos corporais, já eras alguém que se destacava? Não, por acaso não. Só a partir dos meus 16 anos, até porque a partir dos 14 fiquei um pouco para trás a nível de desenvolvimento. Demorei muito em relação aos meus colegas e depois, a partir dos 16, é que dei um pulo enorme.
Passaste pelo Tirsense de uma forma mais recreativa, mas alguém reparou em ti. Como foi o processo que te levou para Guimarães? Ao sair de um treino informaram-me que o Vitória tinha enviado um faxe para eu ir lá fazer treinos de captação. O treino correu bem, fui com um colega de equipa do Tirsense e ficámos os dois.
E em casa como é que isso foi gerido? Foi um esforço grande para os teus pais? Durante dois ou três anos tiveram de ser os meus pais a levar-me aos treinos a Guimarães e no primeiro ano era só eu e esse meu colega a irmos para o Vitória. Passados um ou dois anos, houve outro colega de São Tirso, que jogava no Paços de Ferreira, que se juntou a nós e então já éramos três a dividir as despesas. Mas, mesmo assim, os meus pais fizeram sacrifícios, porque a minha irmã nasceu nessa altura.
O meu pai costumava ir jogar com os amigos a meio da semana e, no final, iam jantar juntos. Numa desses noites, a minha mãe disse-me para eu me vestir, porque o Hulk estava no mesmo restaurante em que o meu pai estava a jantar. Ele veio buscar-me e eu só tive de esperar um bocadinho para tirar uma foto com o Hulk.
Poderes estar com um jogador do FC Porto que tinha ganho aquilo tudo foi um momento muito feliz, certo? Não tenho a certeza se já teria ganho aquilo tudo, mas era um ídolo.
Quando estiveste na formação do Vitória, tiveste de assumir que eras vitoriano ou no clube já sabiam que eras portista? É sempre muito complicado separar as coisas. Claro que era portista, mas a sensação de estar no Vitória é diferente e começas a ganhar um amor e um carinho muito especial ao clube.
O Vitória é um clube que ajuda muito a perceber, neste caso na formação, se tens ou não estaleca para chegar lá acima, porque o grau de exigência é enorme. Durante esses anos, sentiste que estavas à prova para poderes ser futebolista no clube certo? Sim, sem dúvida, sempre senti isso. Estava no clube certo para crescer, para lidar mesmo com a pressão, se queria chegar aos maiores palcos, e sinto que me fez muito bem crescer ali.
Ocupaste sempre a posição de lateral direito no campo ou foste jogando noutras posições? Fui quase sempre lateral direito. Só houve uma fase em que por vezes jogávamos numa linha de cinco defesas e eu jogava a central do lado direito, que, por acaso, é uma posição de que também gosto muito.
Por essa altura já olhavas para algum lateral direito em particular? Sei que tens o Danilo Luiz como uma das tuas referências. Alguma vez tentaste imitá-lo? Sentes que tens alguma afinidade com o jogo do Danilo? Sempre foi uma grande referência e, por acaso, nos primeiros treinos no Vitória B, o adjunto insistia que eu era o Danilo. E sim, acho que temos algumas
O teu único foco, nessa altura, já era ser jogador de futebol? Sinceramente, o foco sempre foi ser jogador de futebol. Às vezes perguntavamme, diziam-me que eu tinha de ter um plano B, e eu respondia que que queria ser professor de educação física, mas acho que era aquela resposta para enganar, porque, na verdade, não me imaginava a ser outra coisa que não fosse ser jogador de futebol.
Apesar de o Guarín ser o teu ídolo, tens uma fotografia com o Hulk que já se tornou célebre. Queres contar a história dessa fotografia?
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