ANDEBOL
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES do regresso a casa e de ver a carreira ser interrompida pelo covid-19. Mas, apesar de a competição ter sido interrompida durante a pandemia, os treinos nunca pararam e Ante Grbavac nunca travou – pelo contrário – uma evolução que o poria em plano de evidência.“ Saí-me muito bem no regresso. Tinha 23 anos, tive algumas ofertas de Espanha, falei com o meu agente e ele aconselhou-me a ir para Cuenca”, conta, antes de puxar a cassete atrás para lembrar os cinco títulos e as finais de taça perdidas que“ doem até hoje” e dão motivação para“ um dia voltar e ganhar”. Em Espanha,“ a primeira temporada foi muito difícil, porque era a primeira experiência fora de casa”, e o peso era demasiado. Leo Maciel tinha acabado de se transferir para o Barcelona e os jornais só destacavam o substituto que“ ia manter o nível e fazer 20 defesas por jogo”. Valeu o auxílio incansável do treinador de guarda-redes, que“ apoiou e acreditou sempre”:“ Antes do jogo com o Benidorm, escreveu-me uma mensagem sentida a dizer que acreditava em mim e acabei por fazer 23 defesas. Na segunda metade da temporada, perdemos apenas três jogos e chegámos aos lugares europeus. No início do segundo ano, éramos uns dos candidatos mais fortes a conseguir a entrada na Liga Europeia, mas calhou-nos o Silkeborg e foi muito difícil, acabámos por ser eliminados”. Apesar do início complicado, a época foi histórica, com apenas“ cinco ou seis jogos perdidos” na poderosa liga espanhola que resultaram na melhor classificação de sempre, um segundo lugar atrás do quase imbatível Barcelona. O bom desempenho chamou a atenção do RK Zagreb, multicampeão da Croácia que requeria ainda mais exigência.“ Cheguei lá e era o terceiro guarda-redes, fiquei oito ou nove jogos sem jogar. Depois disso, deram-me uma oportunidade frente ao Aalborg, na Dinamarca, e saí-me bem, o que me permitiu continuar depois nos outros jogos”, explica Grbavac sobre um primeiro ano em que fez dez jogos na Champions – com vitórias sobre o PSG e o Kolstad – e apenas um no campeonato, o suficiente, ainda assim, para conquistar a primeira de duas medalhas de campeão. No segundo, a toada manteve--se e só na primeira metade de 2025 / 26 começou a ganhar protagonismo, antes de o FC Porto ligar e Ante perceber que era hora de“ encarar um novo desafio”.“ Estava há dois anos e meio em Zagreb, queria um novo desafio em que me pudesse concentrar, agora estou aqui e estou mesmo muito feliz por ter vindo”, afirma com um sorriso o novo Dragão, que tem como companheiros para o que resta da temporada Sebastian Abrahamsson e Bernardo Sousa, por força da lesão de Diogo Rêma. Não veio para Portugal às escuras. Afinal de contas,“ todos conhecem o FC Porto, pois jogaram sempre na Liga dos Campeões, tirando estes últimos dois anos”. E as primeiras impressões são ótimas,“ tudo é pormenorizado e bom”.“ Nunca estive num clube tão profissional. Se precisares de algo, basta pedires a qualquer pessoa e todos estão dispostos a ajudar-te. Estou muito feliz também com a atmosfera que se vive no Dragão Arena”, admite. Agora é chegada a hora de“ mostrar aquilo de que é capaz” e dar“ 100 % em cada jogo” para“ ajudar a equipa e os outros guarda-redes” perante adeptos de quem já ouviu“ dizer maravilhas”.
ANDEBOL EM ALTA VOLTAGEM
Natural de Águas Santas, o novo dono da camisola azul e branca com o número 3 apaixonou-se pela modalidade desde cedo, quando o tio – à data pivô da formação local – o convidou para assistir a um jogo. Desse primeiro impacto até se estrear nas reputadas camadas jovens da equipa maiata foi um instante, mas a paixão não se revelou efémera. Determinado a afirmar-se no andebol nacional, percorreu todos os escalões até se estrear como sénior com apenas 17 anos, a 25 de agosto de 2019, precisamente contra o FC Porto. Os cinco golos que marcou nessa Supertaça, em que“ não estava à espera de jogar tão bem”, não impediram que o troféu viesse para a Invicta. Ainda assim, ficaram na memória as“ recordações felizes desse momento” e em campo a confiança para iniciar um percurso imaculado com 309 remates certeiros em 137 partidas distribuídas por quatro temporadas, período em que acumulou experiência nas provas nacionais e somou os primeiros minutos nas lides europeias enquanto se destacava também nas seleções jovens. Disputou o Europeu de sub-19 em 2021, contribuiu para Portugal chegar à final
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