PERFIL
FEVEREIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
O“ BOX-TO-BOX”
QUE FAZ ACONTECER
Seko Fofana define-se como um“ box-to-box”, mas o rótulo fica curto quando se analisa a carreira de um médio que atravessou ligas, estilos e ritmos sem perder a ideia base de fazer acontecer. Chegou ao FC Porto por empréstimo no último dia de mercado, escolheu o 42 para homenagear Yaya Touré e entregou um autorretrato que funciona como um relatório de scouting: forte, técnico, com personalidade,“ sem medo de nada”.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
Seko Fofana não veio para pedir tempo, veio para acrescentar energia e experiência. Chegou, vestiu o azul e branco, e falou como quem não vem para“ passar por cá”:“ Estou encantado por chegar a um clube histórico reconhecido internacionalmente”, disse o internacional costamarfinense, garantindo disposição para“ todos os esforços”. O detalhe do número que escolheu conta uma história. O 42 não é capricho nem superstição, é homenagem a Yaya Touré, o ídolo que na cabeça de Fofana juntava aquilo que ele próprio procura ser: futebol nos pés, futebol na cabeça e presença para comandar o meiocampo. Quando um jogador escolhe um número por admiração, costuma estar a escolher também um papel. A infância e a formação ajudam a perceber essa personalidade. Nascido em Paris a 7 de maio de 1995, deu os primeiros toques nas escolas do Paris FC, passou pelo Lorient e concluiu a formação no Manchester City, antes do primeiro empréstimo ao Fulham. Daí para a frente, a estrada virou método, com minutos e dureza competitiva no Bastia, consolidação na Udinese e, já com o corpo habituado ao choque e a cabeça habituada ao ritmo, a afirmação definitiva em França. O capítulo francês que o transformou em referência teve nome e braçadeira( RC Lens) e a projeção ganhou um selo simbólico com o Prémio Marc-Vivien Foé, atribuído ao melhor jogador africano da Ligue 1 em 2021 / 22. Não foi apenas mais uma medalha para decorar prateleiras, mas sim a tradução de uma época em que a influência se refletia no que o jogo precisava: carregar, chegar, defender e repetir sem pedir licença ao cansaço. Vieram depois outras latitudes, com passagens por Al-Nassr e Al-Ettifaq, na Arábia Saudita, e o regresso ao futebol europeu via Stade Rennais, antes do empréstimo ao FC Porto. A
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