No dia em que os adeptos portistas voltaram a dizer“ presente” a Jorge Nuno Pinto da Costa, o FC Porto respondeu com aquilo que mais sabe oferecer nestas datas: resultado. Venceu na Choupana, manteve a liderança e somou mais uma folha limpa, a 16.ª de Diogo Costa no campeonato na presente temporada. A noite teve poucas concessões e muito trabalho invisível. Com várias baixas e muitas alterações no onze, o FC Porto precisou de paciência e de um guardaredes atento, enquanto o jogo se resolvia na bola parada e na precisão. Gabri Veiga entrou aos 59’ e, no primeiro toque, desenhou o canto; Bednarek atacou o espaço e cabeceou para o 0-1 aos 60’. Depois veio o gesto que |
explica o dia dentro do dia. Bednarek celebrou erguendo a camisola 9 de Samu e Farioli não deixou dúvidas sobre a dedicatória. Disse-se“ feliz por ter honrado o legado”, quis“ dedicar a vitória” a Pinto da Costa num“ dia especial”, e estendeu também essa alegria ao avançado lesionado. E há uma leitura prática por trás da emoção. Numa semana“ muito complicada” pelas lesões, o treinador apontou Zaidu como prova de profundidade, pela forma como respondeu com“ foco e dedicação” durante 90 minutos, e sublinhou que ninguém vai à Madeira golear. Foi um triunfo curto, mas com duas mensagens bem claras: o grupo tem resposta e a equipa continua a depender de si. |
Francesco Farioli insiste que“ está tudo em aberto”, mas a baliza, por exemplo, está claramente fechada. O FC Porto venceu o Rio Ave, chegou às 20 vitórias em 23 jornadas e manteve a liderança com quatro e sete pontos de vantagem sobre Sporting e Benfica, alongando para 17 o número de jogos sem sofrer. O golo de Victor Froholdt resolveu o essencial e o acessório foi a frustração de ter mandado no jogo sem construir um desfecho mais dilatado.“ Foi um resultado positivo”, resumiu o treinador, satisfeito com“ uma exibição muito boa” e com ritmo elevado, mas a repetir a frase que começa a ganhar estatuto de refrão:“ Queríamos ter fechado o jogo mais cedo”. Tentou-se até ao fim, é verdade, só que o ferro também quis participar na conferência. Três vezes. E quando uma equipa cria |
tanto e acerta tanto no metal, o 1-0 passa a ser menos prudência e mais teimosia. Froholdt, o MVP da partida, foi o primeiro a admitir que o jogo“ não foi fácil, muito por culpa própria”. Faltou concretizar e faltou transformar domínio em conforto. A folha limpa continua a ser o melhor argumento num campeonato sempre à procura de drama porque o FC Porto transforma cada jogo num capítulo de frieza. Oskar Pietuszewski, de apenas 17 anos, voltou a ser titular e saiu“ radiante” pela primeira assistência, reforçando uma ideia que diz muito sobre o momento do grupo:“ Não importa quem joga ou quem fica no banco”. Há fome de mais, há união e há uma equipa que se prepara para o último terço do campeonato como quem sabe que, a partir daqui, cada jogo vale o dobro. |
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