Dragões #470 Jan 2026 | Page 39

MERCADO
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
A ESCOLA DE MALDINI Quando Thiago Silva chegou ao Milan, no início de 2009, encontrou algo mais valioso do que uma receção calorosa: encontrou um modelo. Como não pôde competir nos primeiros meses( por questões de inscrição), viveu esse período como um estágio intensivo. Carlo Ancelotti levou-o a todos os jogos e deulhe um conselho simples: observar Paolo Maldini, dentro e fora do campo. Thiago aprendeu italiano, treinou, viu, ouviu e foi montando a sua própria versão de central europeu a partir daquela referência. Para Thiago, a admiração nunca foi uma mera frase feita. Anos mais tarde, numa entrevista, contou que conhecer Maldini“ lhe acendeu” qualquer coisa e que, ao vê-lo jogar aos 41 anos, percebeu que a longevidade também se trabalha com hábitos, descanso, disciplina e detalhe. E até quando ousa aproximar-se, fá-lo com humildade.“ Há só um Maldini”, diz ele, deixando claro que o impacto foi mental e profissional, não apenas técnico. Do lado de Maldini, o reconhecimento chegou cedo e foi público. Em 2009, já reformado, falou de Thiago Silva como um“ herdeiro”, sublinhando que era um defesa forte, com potencial físico e técnico, mas sobretudo com“ personalidade”, algo decisivo para quem joga naquela posição num clube como o Milan. E deixou ainda uma nota que é elogio e exigência ao mesmo tempo: talento há, mas é nos jogos, e não só nos treinos, que um central se torna realmente da casa. Esta admiração mútua nunca se resumiu a
meio ano de convivência em San Siro. Viu-se nos reencontros e, sobretudo, no que Thiago levou dali para a carreira: a ideia de que um grande defesa é tão bom na antecipação como na forma de viver o jogo. Anos depois, já ele próprio veterano, Thiago falaria do orgulho de inspirar jogadores mais novos, como se devolvesse ao futebol a mesma lição que recebeu quando aprendeu com Maldini a ser o primeiro a perceber o lance.
CRAQUES AO LADO MESSI ACIMA Ao longo da carreira, Thiago Silva foi colecionando balneários que parecem um“ best of” do futebol moderno. Em Milão, cresceu rodeado por referências como Ibrahimović, Pirlo, Seedorf, Gattuso, Nesta, Pato e Ronaldinho. Em Paris, a lista ganhou sotaques e galões: Cavani, Di María, Verratti, Marquinhos, Dani Alves e, já na fase mais mediática do projeto, Neymar e Mbappé. Pelo Chelsea, juntou a essa galeria nomes como Kanté, Jorginho, Azpilicueta, Rüdiger, Reece James ou Mount, num capítulo em que a experiência passou a ser uma arma, não uma nota de rodapé. No meio desse desfile, há um craque por quem Thiago nunca escondeu uma especial simpatia: Zlatan Ibrahimović. Foram colegas no Milan e voltaram a sê-lo no PSG, e a forma como o brasileiro fala do sueco diz muito sobre o respeito entre monstros competitivos. Thiago contou que fala com Zlatan regularmente e que tem por ele“ muito respeito e admiração”. Na mesma conversa, recordou até o telefonema em que Ibrahimović lhe confirmou, em tom meio a sério meio a brincar, que só assinaria pelo PSG se
Thiago Silva também fosse. Se Zlatan foi o íman, Paris foi o palco onde Thiago consolidou o estatuto de líder e de“ cola” do coletivo. Não é por acaso que, quando se olha para os colegas com quem jogou mais vezes, aparecem precisamente os pilares daquela era: Marquinhos, Verratti, Cavani, Di María, além de Dani Alves e Maxwell. É uma fotografia daquilo que ele foi no PSG: o central que dá estrutura para os artistas poderem criar e que melhora o rendimento de quem joga ao lado, porque reduz o erro e aumenta a confiança. E apesar de ter jogado com tantas estrelas, Thiago Silva nunca teve hesitações quando o tema é“ o melhor de sempre”. Sobre Lionel Messi, disse que, por mais que se estude,“ nunca se consegue entender” totalmente a diferença que ele cria e que, entre os que viu, ninguém se aproxima. A FIFA recuperou essa ideia numa compilação de elogios ao argentino, citando Thiago. Não viu Pelé, Zico ou Maradona, mas Messi foi o melhor que viu jogar. E, numa conferência de imprensa antes de um Brasil-Argentina, reforçou que enfrentá-lo era um privilégio, chamando-lhe“ o melhor do mundo”.
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