MERCADO
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
A ORDEM POR TRÁS DO SAMBA
Quatro Mundiais, uma braçadeira com peso e uma carreira inteira a organizar o jogo a partir de trás. Na seleção brasileira, Thiago Silva é sinónimo de segurança e de continuidade num país onde tudo muda depressa.
TEXTO de ALBERTO BARBOSA
Thiago Silva nunca foi apenas“ mais um” no escrete. Estreouse em outubro de 2008, numa vitória sobre a Venezuela em San Cristóbal, e acabou por construir um percurso longo e consistente, com 113 internacionalizações e 7 golos, quase sempre associado à ideia de fiabilidade e àquele tipo de jogador que os treinadores escolhem quando preferem o controlo ao improviso. Antes de se fixar na seleção principal, teve também um trajeto marcante nos Jogos Olímpicos. Esteve em Pequim, onde o Brasil ganhou a medalha de bronze em 2008, e regressou em Londres, conquistando a prata em 2012. Duas experiências diferentes, mas com a mesma mensagem implícita: torneios curtos, pressão alta e a responsabilidade de organizar uma equipa jovem por dentro. O primeiro grande título“ A” chega em 2013, na Taça das Confederações, conquistada em casa. Mais tarde, em 2019, integra também o grupo que vence a Copa América. Mesmo quando não foi o jogador mais mediático, foi muitas vezes o ponto de equilíbrio, o central que permitiu que o resto da equipa arriscasse sem a sensação de caminhar na corda bamba. Em Mundiais, a presença dele atravessa gerações. Disputou quatro Copas do Mundo( 2010, 2014, 2018 e 2022) e, sobretudo em 2014, assumiu a braçadeira e o peso simbólico de liderar um Brasil anfitrião, com tudo o que isso acarreta: expectativas, nervos e um país inteiro a olhar para cada pormenor.
Esse Mundial de 2014 acabou por gerar um dos episódios mais marcantes da carreira internacional de Thiago. Viu amarelo nos quartos de final frente à Colômbia, ficou suspenso para a meia-final e o Brasil ainda tentou reverter a decisão, mas o recurso foi rejeitado. Não esteve em campo contra a Alemanha, na derrota histórica por 7-1, e a ausência de um capitão e central organizador tornou-se parte incontornável da narrativa daquele jogo. No fim, o legado de Thiago no escrete, a que quer voltar a tempo de disputar o quinto Mundial consecutivo, não se resume a troféus, resume-se a uma ideia: foi, durante muitos anos, o padrão de segurança de um Brasil que mudou de selecionadores, de gerações e de estilos. E, mesmo já veterano, continua a falar do Campeonato do Mundo como um horizonte possível, sinal de que a ambição não ficou presa ao passado.
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