ENTREVISTA
JANEIRO 2026 REVISTA DRAGÕES
“ AS CONEXÕES BATERAM LOGO NO PRIMEIRO DIA”
Aos 19 anos, William Gomes já aprendeu que o futebol não começa quando a bola rola, mas quando a vida pede coragem. De Aracaju para São Paulo, das peladas com o pai ao primeiro treinador, da saudade ao Morumbi e ao Maracanã, a história do extremo brasileiro é feita de uma obsessão simples e repetida desde criança:“ puxa e bate”. Hoje, no FC Porto, a frase transformou-se em identidade e a distância virou combustível.
ENTREVISTA de RUI CERQUEIRA
Na primeira conversa com a DRAGÕES, William recua até aos sete anos para explicar como o jogo o escolheu antes de ele escolher o jogo, recorda o salto de 1.700 quilómetros que lhe mudou a rotina e a cabeça, e descreve o instante em que percebeu que o talento só serve quando anda de mãos dadas com trabalho. Entre a exigência que já conhecia no São Paulo e a que o aguardava no Dragão, o brasileiro fala de adaptação, pressão, amizade( em especial com Pepê), aprendizagem com os mais velhos e das“ viradas de chave” que aceleram uma carreira. Daquelas que não fazem barulho, mas mudam tudo. Hoje, William já não é promessa, é ferramenta em campo e faísca em jogo grande. Entre minutos a entrar e minutos a começar, encontrou no Dragão um lugar onde a juventude não serve de argumento nem de desculpa e onde cada treino tem a intensidade de um teste. Fala da pressão como parte do pacote, do crescimento num balneário mais internacional, do impacto dos mais experientes na consolidação do grupo e de um futebol que lhe pede mais do que drible e remate. Pede compromisso, leitura e capacidade de“ virar a chave” dentro do próprio jogo, sem perder a alegria que o trouxe até aqui.
William, vamos iniciar a tua viagem no mundo do futebol. Estás com 19 anos e a começares a impor-te no FC Porto e no futebol europeu. Esta história começa há não muito tempo, aos 11 anos, mais ou menos, quando começaste a dar os primeiros pontapés na bola. Conta-nos como é que tudo começou? Na verdade, começou um pouco mais cedo, pelos sete anos, quando jogava com o meu pai, com o meu irmão e com os meus amigos. Fui-me apaixonando pelo jogo e fui-me apercebendo de que aquilo me deixava feliz e não queria fazer outra coisa. Foi aí que tudo começou. O meu pai levou-me para uma escolinha e lá conheci um dos meus melhores amigos, o Netinho, o meu primeiro treinador, que me levou para uma escola de futebol.
Era a Baden Powell? Isso. Fiz lá parte da minha formação até ir para o São Paulo, dos sete aos 11 anos.
Foi, jogando com os mais velhos, como o teu pai, que desenvolveste a tua capacidade de drible e esse jeito atrevido? Sempre tive essa maneira atrevida de jogar, driblava muito, chutava de fora da área e o meu pai sempre me disse para puxar e bater [ puxar para dentro e bater colocado ].“ Puxa e bate, puxa e bate!” Desde pequeno que ele me incentiva para fazer essas coisas e eu vou seguindo esses conselhos.
Já davas entrevistas na escola Baden Powell. O que é que diziam de ti? As pessoas diziam que eu era muito talentoso, mas que deveria trabalhar cada vez mais. Eu sabia que era talentoso, mas também tinha bem presente na minha cabeça que só com talento não ia chegar onde eu queria. Sempre soube que tinha de trabalhar cada vez mais para melhorar.
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