ENTRE LINHAS
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
A chuva deu-lhe moldura, mas a vantagem teve autor. Francisco Moura caiu para a fotografia e levantou o Dragão para a certeza: foi ele quem recolocou o FC Porto na frente, com a celebração a rasgar a noite e os braços abertos a dizer tudo o que o marcador já sabia.
Borja Sainz bisou e a festa saltou do relvado para a bancada, como se Alverca tivesse recebido, por instantes, um pedaço do Dragão.
FC ALVERCA 0-3 FC PORTO
Em Alverca, o FC Porto entrou como quem chega a uma casa difícil com o casaco ainda molhado: relvado pesado, duelos por todo o lado e um adversário físico a pedir jogo de contacto. Mesmo assim, a equipa de Francesco Farioli tratou de pôr ordem no ruído, com bola, paciência e um setor visitante a empurrar como se fosse o Dragão em miniatura. O primeiro golo não caiu do céu, foi escavado. Houve um aviso cedo, um golo anulado e, quando a jogada voltou a respirar, Rodrigo Mora cruzou de primeira para Borja Sainz cabecear para o 0-1 e abrir a porta do jogo. A celebração trouxe ainda um detalhe que ficou a bater mais forte do que o marcador: a dedicatória a Vasco Sousa, com a camisola erguida como abraço coletivo. Depois do intervalo, o FC Porto acelerou o que já tinha controlado. A pressão alta e a reação à perda foram tirando o ar ao Alverca até ao 0-2, numa recarga de Alan Varela após defesa incompleta a um remate de Pepê. E, quando o adversário tentou reentrar na conversa, apareceu Diogo Costa com duas defesas decisivas para segurar a folha limpa, essa pequena teimosia que também ganha campeonatos. O fecho teve toque final e aplauso: Borja Sainz bisou com um remate em arco, desses que parecem desenhados com régua e imaginação ao mesmo tempo, e o 0-3 deixou o FC Porto com 43 pontos e mais uma vitória para consolidar a liderança. Farioli chamou-lhe“ presente aos adeptos” e, em semana de Natal, Alverca acabou como começo de festa: três golos, três pontos e uma equipa com o trabalho bem embrulhado.
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