TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
William Gomes leu o espaço, ganhou a passada e assinou o único golo da noite. O resto foi gestão e pulmão.
FC PORTO 1-0 ESTORIL-PRAIA
Em noite de estreia do novo sistema de luzes do Estádio do Dragão, o primeiro relâmpago veio dos pés de William Gomes. O sete marcou aos oito, logo a seguir a um golo anulado a Samu, como se a nova iluminação cénica tivesse decidido estrearse com um pequeno jogo de sombras: apaga-se o 1-0, acende-se outro 1-0. Quando o espetáculo de luz no topo da cobertura se acalmou, o marcador dizia o essencial: FC Porto na frente, liderança isolada, 34 pontos ao fim de 12 jornadas e um enredo que se repete semana após semana. O número que conta não é só o da classificação. Em doze jornadas, o FC Porto somava 11 vitórias, um empate, 25 golos marcados e apenas três sofridos, com nove jogos sem sofrer golos e um percurso construído depois de enfrentar dez dos onze primeiros classificados. Nesse contexto, o golo solitário de William vale mais do que três pontos: é mais um tijolo numa muralha que começa no avançado que pressiona, passa por Bednarek a vestir a capa de herói nos descontos e termina com Diogo Costa a levar para casa mais um prémio“ Clean Sheet”, lembrando que“ o mérito é de toda a gente”. Francesco Farioli olhou para o jogo como quem revê um rascunho exigente. Falou de um adversário que foi“ uma das melhores equipas que jogou no Estádio do Dragão” e de oportunidades falhadas para“ capitalizar o resultado”, mas recusou o atalho do cansaço depois de uma quinta-feira europeia intensa: o desgaste não serve de desculpa,“ compensa-se com a mentalidade”. Lembrou ainda um dado que normalmente passa despercebido na ficha técnica: o Estoril não rematou uma única vez à baliza, Diogo“ fez zero defesas” e, mesmo numa noite“ não tão assertiva”, continuou a haver“ margem para crescer a nível tático e físico”. Entre linhas, percebe-se a mensagem – ganhar a sofrer também faz parte do modelo. Lá dentro, os jogadores falavam já em modo dezembro, aquele mês em que o calendário parece um quebracabeças impossível: sete jogos, cinco no Dragão, cansaço a acumular, decisões a aproximarem-se. William confessou que“ o mais importante foi ter conseguido a vitória” contra“ uma boa equipa”, Diogo perspetivou um período“ muito preenchido” em que só a entrega diária garante que a liderança se aguenta até ao solstício, e ambos pediram a mesma coisa: gente nas bancadas, barulho, força extra. Num estádio agora mais luminoso, a verdadeira luz continua a vir desse pacto simples entre relva e cadeiras: enquanto houver pernas para pressionar como no lance do 1-0 e um balneário disposto a“ saber sofrer”, o resultado pode continuar curto, porque a história vai ficando longa.
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