Dragões #469 Dez 2025 | Page 45

TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
região: Palácio da Bolsa, Casino de Espinho, Casino da Póvoa, Alfândega do Porto e Coliseu do Porto. O Dragão Arena recebeu a gala pela primeira vez em 2013, num gesto simbólico de regresso ao“ território” do clube. Nesse mesmo ano, o Dragão de Ouro passou também a fazer parte do percurso expositivo do Museu FC Porto, onde se encontra, entre outras peças, o Dragão de Honra de 2013 atribuído a Jorge Nuno Pinto da Costa – o primeiro objeto doado ao Museu após a abertura do espaço. A vontade de agradecer publicamente a quem eleva o nome do FC Porto não começou com o Dragão de Ouro. Muito antes de a estatueta nascer, o clube já experimentara diferentes formas de homenagem: diplomas, medalhas, placas comemorativas e troféus especiais. Entre esses antecedentes, destaca-se um nome que ecoa de imediato na memória portista: o Troféu Pinga. Criado em 1963 e entregue pela primeira vez em 1964, o galardão nasceu por iniciativa de uma Comissão Pró-Sede do FC Porto e procurava distinguir figuras com contributos relevantes para o clube, numa lógica muito próxima da que hoje se associa ao Dragão de Ouro. A coincidência temporal com a morte de Artur de Sousa“ Pinga”, génio do ataque azul e branco, levou a que o troféu adotasse o seu nome, transformando-o em símbolo de talento e devoção. A peça apresenta um desportista em posição vertical, segurando no alto uma tocha de inspiração olímpica, metáfora da chama competitiva que o FC Porto sempre quis preservar. Diversas fontes atribuem a conceção do troféu a Henrique Moreira, o“ Escultor do Porto”, autor de obras icónicas da cidade como a celebrada“ Menina Nua” da Avenida dos Aliados. A estreia do Troféu Pinga aconteceu a 7 de dezembro de 1964, no então Pavilhão dos Desportos do Porto, hoje Super Bock Arena / Pavilhão Rosa Mota. De meados da década de 1960 ao início dos anos 1970, foram atribuídos 26 Troféus Pinga, para além de um exemplar reservado à coleção do clube, que pode ser admirado no Museu FC Porto. A lista de distinguidos inclui nomes que, mais tarde, voltariam a ser reconhecidos com o Dragão de Ouro. Hernâni Ferreira da Silva, o“ Furacão de Águeda”, recebeu o troféu numa fase final da carreira; Artur Jorge, então um promissor avançado, foi distinguido como futebolista júnior do ano. Ambos acabariam por ligar duas épocas e dois galardões diferentes a uma mesma ideia central: a de que a história do FC Porto também se escreve através de quem é chamado ao palco para ser distinguido e homenageado.
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