TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
VINTAGE
António Frasco
Há vidas que se confundem com a história de um clube e a de António Frasco é indissociável do FC Porto. Quem folhear os livros da memória azul e branca e percorrer a galeria dos imortais encontra o seu nome ao lado de figuras que fizeram do emblema uma forma de estar na vida. Natural de Leça da Palmeira, Frasco vestiu de azul e branco durante 11 épocas como jogador e mais 21 anos como treinador da formação, numa ligação de mais de três décadas que o torna uma das referências mais sólidas da identidade portista. Em campo, foi muito mais do que um médio fiável. Era um atleta de elite, elegante no gesto técnico, mestre com a bola no pé, capaz de encurtar o caminho até ao golo e de servir de bandeja os companheiros no ataque. Jogou 319 vezes pelo FC Porto e ajudou a construir um dos períodos mais brilhantes da história do clube: conquistou uma Taça Intercontinental, uma Taça dos Campeões Europeus, uma Supertaça Europeia, quatro Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal e três Supertaças. Títulos que contam parte da história; a outra parte escreve-se com o respeito que alcançou no balneário e a forma como sempre colocou a equipa à frente de tudo. Quando pendurou as chuteiras, não saiu de cena. Mudou apenas de lugar no relvado. Como treinador da formação, manteve a mesma exigência e a mesma atenção ao detalhe, agora ao serviço dos mais novos. Foi exemplo de determinação, caráter e qualidade, um modelo a seguir para quem dava os primeiros passos. Muitos jovens descobriram com ele que no FC Porto não basta jogar bem: é preciso trabalhar mais do que os outros, honrar o emblema e compreender o peso da camisola. Ao receber o Dragão de Ouro, António Frasco subiu ao palco com a serenidade de quem sabe que fez o seu caminho.“ Quero agradecer ao presidente André Villas-Boas e à sua equipa diretiva pelo prémio que me é endereçado”, começou por dizer, antes de recordar aqueles que tornaram possível a sua chegada ao clube:“ Queria também agradecer às pessoas que conseguiram fazer com que eu viesse para o FC Porto, nomeadamente o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa, o senhor Reinaldo Teles e o professor João Mota.” Houve espaço para uma palavra especial a José Maria Pedroto,“ o treinador que mais o marcou”, e para o núcleo duro da sua vida fora do relvado:“ Gostaria também de agradecer à minha família, principalmente à minha mulher, às minhas filhas e às minhas netas.” Coerente com a forma como sempre viveu o balneário, fez questão de dividir o troféu com todos:“ Partilho este prémio com os meus ex-colegas, treinadores, diretores, toda a gente que fez parte deste processo no FC Porto.” Depois, abriu a porta dos sonhos que o acompanharam durante décadas.“ Na minha vida tive um sonho que consegui alcançar, que foi ser campeão europeu, conseguimos todos juntos”, recordou, voltando às noites que colocaram o FC Porto no topo do mundo. Mas havia outro desejo guardado:“ Havia prémios que o FC Porto dava todos os anos, como este Dragão de Ouro, e sonhei que um dia podia eventualmente ganhálo. É um grande orgulho receber este Dragão de Ouro.” Setenta anos depois de nascer em Leça da Palmeira, continua a olhar para o clube com a mesma paixão dos primeiros dias. A distinção Vintage não é apenas um prémio pelo passado, é o reconhecimento de uma vida inteira dedicada ao FC Porto. E, como sempre, Frasco preferiu colocar o foco no coletivo:“ Todos juntos, seremos cada vez mais fortes.”
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