TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
ATLETA Xavi Malián
Não nasceu na Invicta, mas desde que chegou, em 2019, Xavi Malián tratou de encarnar o espírito do Dragão como se sempre tivesse sido um dos seus. Sete épocas volvidas, o guarda-redes espanhol é um dos melhores do mundo na sua posição e uma das grandes referências dos bicampeões nacionais de hóquei em patins. Entre os postes, levantou uma muralha; no balneário, consolidou a condição de exemplo. Com a camisola do FC Porto vestida, Xavi Malián já ganhou tudo o que havia para ganhar. No plano internacional, soma uma Liga dos Campeões, uma Taça Intercontinental e uma Taça Continental; internamente, três Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal, uma Supertaça António Livramento e uma Elite Cup. Cada título tem histórias de defesas impossíveis, noites de sofrimento e finais decididas ao detalhe, quase sempre com o número 10 a erguer-se maior do que a baliza. Resumidamente, Malián ajudou o FC Porto a voltar ao topo europeu e a reforçar a hegemonia nacional. Em 2024 / 25, foi decisivo na caminhada rumo ao bicampeonato, guardando a baliza como poucos e transformando o Dragão Arena numa fortaleza. No plano individual, este Dragão de Ouro Atleta junta-se a outro galardão de peso: em 2022 / 23, já tinha sido distinguido como Atleta de Alta Competição. Ao receber o prémio, Xavi começou por olhar para cima na hierarquia.“ Primeiramente, gostaria de agradecer ao nosso presidente e a toda a Direção do FC Porto por este reconhecimento. Para mim é muito especial, sobretudo por o receber nesta casa, o Dragão Arena, onde passamos tantas horas e onde sou tão feliz”, confessou, sublinhando a ligação emocional a um pavilhão que é a sua segunda casa. Como qualquer guarda-redes sabe, ninguém ganha sozinho. Por isso, tratou de partilhar o Dragão de Ouro com quem está ao lado no rinque e no balneário:“ Gostaria de partilhar este Dragão com os meus companheiros de equipa, porque acho que qualquer um deles poderia ter ganho.” Sem fugir às dificuldades da época, reforçou a importância da união:“ O ano passado, como disse anteriormente o Rafa, foi um ano difícil, mas estando todos juntos e trabalhando muito, conseguimos acabar o ano muito felizes.” Houve também agradecimentos em família, para aqueles que não aparecem nas fichas de jogo, mas contam em todas as decisões.“ Gostaria de dar algumas palavras aos meus pais, que desde pequeno me acompanharam a todo o lado e hoje estão aqui presentes”, disse, antes de reservar um lugar especial para quem vive mais de perto o quotidiano portista em casa:“ Um obrigado também muito especial à minha mulher, que me apoia nos momentos mais difíceis, e à minha filha, que também está aqui hoje.” No fim, Xavi resumiu numa frase o que tem sido a transformação destes anos de azul e branco:“ Eu e a minha família não chegámos portistas, mas vamos sair daqui com o coração azul e branco.” É difícil imaginar melhor definição para alguém que fez da baliza uma trincheira, do Dragão Arena um lar e do FC Porto uma parte da sua identidade.
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