TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
À frente de uma grande equipa está quase sempre um grande líder. No caso do futebol feminino do FC Porto, a frase ganha contornos literais. Daniel Chaves regressou a casa para viver uma época de sonho: chegou, viu e venceu, bateu recordes, arrastou multidões e ergueu o desejado troféu – tudo isto no ano de estreia da recém-criada equipa feminina. Em 2024 / 25, o FC Porto entrou oficialmente no futebol feminino sénior e fê-lo à sua maneira: para competir e para ganhar. Sob o comando de Daniel Chaves, a equipa conquistou o Campeonato Nacional da Terceira Divisão com um registo que parece saído de um livro de ficção: 26 vitórias em 26 jornadas, 221 golos marcados e apenas nove sofridos. Um percurso perfeito, que confirmou cedo que o lugar deste grupo é nos patamares mais altos do futebol português. O sucesso, porém, não se mediu apenas em pontos e golos. Numa época em que bateu o recorde de assistência num jogo de futebol feminino em solo nacional, o FC Porto estreou-se também na Taça de Portugal e chegou à final da Taça AF Porto. No fim, a imagem que fica é a de Daniel Chaves a entregar ao Museu FC Porto o primeiro troféu do futebol feminino, gesto simples e simbólico que junta passado e futuro na mesma fotografia. Habituado ao balneário e ao relvado, o treinador não escondeu algum desconforto com os holofotes ao receber o Dragão de Ouro.“ Confesso que me sinto melhor no balneário ou no campo, mas vamos tentar que saia daqui alguma coisa”, admitiu, antes de começar a distribuir créditos por quem o acompanha nesta caminhada. A primeira palavra foi para o topo da estrutura:“ Começo por agradecer ao presidente e a toda a Direção o reconhecimento e tudo o que têm feito
TREINADOR Daniel Chaves
pelo desenvolvimento do futebol feminino”, sublinhou. Seguiu-se o professor José Manuel Ferreira, cuja confiança foi determinante no regresso de Daniel a casa:“ Agradeço ao professor José Manuel Ferreira a confiança e o convite para que esteja aqui a liderar a equipa.” Depois, a engrenagem do dia a dia:“ À Joana, ao staff e a toda a equipa técnica pelo trabalho diário em prol da nossa equipa.” Em cada agradecimento, a noção clara de que um ano perfeito nunca é obra de uma só pessoa. No plano mais íntimo, surgem os de sempre:“ Agradeço especialmente aos meus amigos e à minha família, no caso ao meu irmão e aos meus pais”, recordou, antes de chegar ao núcleo duro desta história – o balneário.“ Não posso esquecer quem realmente fez de mim treinador e que me fez estar aqui presente, as minhas jogadoras. Foram excecionais, fizeram história e foram verdadeiramente Porto do primeiro ao último jogo.” Num clube que se orgulha do lema“ Somos Porto”, foi ali, naquele grupo, que a expressão ganhou forma dentro de campo. Portista assumido, Daniel Chaves sente esta distinção de forma particular.“ É um orgulho e um sentimento de honra estar aqui a receber este Dragão de Ouro. O facto de ser portista torna tudo mais especial. Durante anos vi lendas do nosso clube a receber este prémio e hoje estou eu aqui. Confesso que estou a realizar sonhos de criança”, afirmou, ainda a digerir a dimensão do momento. Entre recordes, títulos e salas de museu, fica uma certeza que o próprio treinador fez questão de sublinhar ao despedirse do palco:“ De uma coisa eu tenho a certeza, ainda há muita história para escrevermos juntos.” O primeiro troféu do futebol feminino já está no Museu FC Porto. Os próximos capítulos, se dependerem de Daniel Chaves e da sua equipa, também vão precisar de espaço nas vitrines.
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