Dragões #469 Dez 2025 | Page 25

TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES

DEDICAÇÃO Vítor Santos

A história do FC Porto escreve-se com golos, títulos e noites inesquecíveis, mas também com o trabalho silencioso de quem passa uma vida inteira nos bastidores. Entre viagens intermináveis, horários impossíveis e responsabilidades que quase nunca aparecem nas notícias, há pessoas que se entregam de corpo e alma à causa portista, qualquer que seja a missão. Vítor Santos é uma dessas figuras: 40 anos ao serviço do clube fazem dele um caso raro de amor, lealdade e dedicação. Começou como motorista, ao volante de autocarros que não transportavam apenas equipas, mas também sonhos, ansiedades, conquistas e frustrações. Com o tempo, assumiu responsabilidades na logística desportiva e no apoio às famílias dos atletas, garantindo que nada falhava onde não podia falhar. Foi ele que conduziu gerações de jogadores pelas estradas nacionais e internacionais, em viagens que ajudaram a levar o FC Porto ao topo do mundo. Sócio com décadas de ligação ao clube, é um homem da casa, um portista de coração que conhece de perto o peso e o privilégio de servir o emblema. Ao receber o Dragão de Ouro, Vítor Santos não falou apenas de si.“ Muito boa noite a todos, sejam bem-vindos e muito obrigado pela vossa presença e por testemunharem a imensa honra e alegria que eu sinto ao receber este troféu”, começou por dizer, visivelmente emocionado. Agradeceu“ à administração e à Direção do FC Porto, a todos os seus dirigentes, a todos os seus treinadores, atletas, colaboradores que muito fizeram e muito me ajudaram a contribuir, de alguma forma, para a grandeza deste clube”, deixando também um apelo: que outros possam seguir“ este exemplo de dedicação”. Quatro décadas depois, o balanço faz-se com serenidade e orgulho.“ Depois de 40 anos, olhamos para trás e sentimonos imensamente satisfeitos por fazer parte deste grande clube”, confessou, lembrando ainda a importância da sua equipa de trabalho, dos amigos e, naturalmente, da família,“ que tem sido um suporte muito grande”. O Dragão de Ouro não é, por isso, apenas um prémio individual: é partilhado com todos aqueles que estiveram ao seu lado. No momento mais íntimo do discurso, Vítor Santos escolheu um nome para simbolizar tantos outros:“ Gostaria de partilhar este Dragão de Ouro com a minha equipa e, se me permitem, com uma pessoa que muito me marcou e que já não se encontra fisicamente entre nós, mas que espiritualmente está de certeza. Foi um grande homem, um grande atleta, um grande capitão, um grande amigo e um grande portista. Partilho este Dragão com ele [ Jorge Costa ].” Era a forma de lembrar que a dedicação também se mede na memória que guardamos de quem já partiu. Quarenta anos depois, Vítor Santos acrescenta ao currículo um título que não vem em nenhuma ficha de jogo, mas fica gravado na história: o de Dragão de Ouro. E é difícil imaginar distinção mais justa para quem fez da estrada, da logística e do apoio invisível uma forma de amar o FC Porto.

25