Dragões #469 Dez 2025 | Page 24

TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES

FUNCIONÁRIO Mafalda Magalhães

Inaugurado em 2013, o Museu FC Porto é uma das joias do universo azul e branco. Mais do que um espaço expositivo, tornou-se um cartão de visita do clube para o mundo, somando distinções nacionais e internacionais e assumindose como um veículo essencial na internacionalização da marca FC Porto. Guardião de memórias, figuras históricas e conquistas marcantes, é também um caso único: é o único Museu de um clube de futebol que é membro associado da Organização Mundial de Turismo e que obteve certificação Earthcheck na área do turismo. À frente deste projeto está Mafalda Magalhães, colaboradora do FC Porto desde 2008, que recebe agora o Dragão de Ouro. A distinção chega depois de muitos anos de trabalho silencioso, de construção paciente e de uma dedicação que se mede tanto em exposições e iniciativas como na forma como o Museu passou a ser, para milhares de visitantes, a porta de entrada para o universo portista. Quando subiu ao palco, Mafalda começou por fazer aquilo que chamou“ quebrar o protocolo”, começando por casa e não pelo clube.“ Vou iniciar este momento agradecendo aos que mais me inspiram, os meus pais, que me ensinaram o valor do trabalho, da humildade e da perseverança”, afirmou, antes de estender o reconhecimento ao irmão, aos sobrinhos e, sobretudo, aos filhos, Francisco e Carolina, que“ nos últimos 17 anos dedicados ao FC Porto tiveram a coragem e a maturidade de crescer mais sozinhos”. Ao lado deles, a enteada Marta,“ que lhe permitiu prolongar a missão de mãe”, e o marido, José Carlos, descrito como“ a força nos dias difíceis, o chão e a razão” pela qual continua“ a sonhar e a acreditar que tudo é possível”. No centro do discurso esteve também a ideia de esforço continuado e de resiliência num caminho que nem sempre foi simples.“ Este prémio que hoje seguro nas mãos é o reflexo de um esforço constante para dar sempre com rigor o melhor de mim”, sublinhou Mafalda Magalhães, reconhecendo no Dragão de Ouro um gesto que“ valida este caminho, o espírito de vencer e não desistir, mesmo nos momentos em que nos sentimos sós”. Houve igualmente espaço para a gratidão a quem lhe abriu a porta do FC Porto num ponto decisivo da vida:“ Quero deixar uma palavra de profunda gratidão a alguém que foi preponderante no meu percurso. Num dos momentos mais difíceis da minha vida, estendeu-me a mão, acreditou em mim e trouxe-me para o FC Porto. É um enorme ser humano e um dos melhores profissionais que conheço, Antero Henrique.” Entre agradecimentos, Mafalda fez questão de homenagear dois presidentes que marcaram a sua história no clube. Recordou“ a honra” de ter recebido tantos desafios de Jorge Nuno Pinto da Costa, em particular o projeto do Museu, que hoje evoca“ com reverência e saudade”, e destacou o entusiasmo com que André Villas-Boas abraçou a continuidade desse trabalho,“ permitindo fazer coisas novas, diferentes e ambiciosas, sempre com os olhos postos no futuro, mas sem nunca esquecer as raízes”. No fecho, a diretora do Museu FC Porto regressou à equipa que a acompanha diariamente entre vitrines, arquivos, visitas e bastidores.“ Nenhuma obra se constrói sozinha, nenhum museu se torna grande sem uma equipa unida, apaixonada e dedicada”, afirmou. São esses colegas do grupo FC Porto e os colaboradores do Museu que“ todos os dias dão vida às paredes deste espaço e o transformam num espelho da grandeza do FC Porto”. Por isso, Mafalda fez questão de lhes entregar simbolicamente o Dragão de Ouro:“ Este Dragão de Ouro é vosso, de cada um de vocês, e é com ele que vos quero dizer obrigado.”

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