Dragões #469 Dez 2025 | Page 15

TEMA DE CAPA
DEZEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
A 38.ª gala dos Dragões de Ouro não foi apenas uma noite de prémios: foi o palco escolhido por André Villas-Boas para apresentar o guião de um tempo novo. Entre balanços e anúncios, o presidente assumiu um compromisso simples, mas exigente: lutar sem medo por um FC Porto maior, mais competitivo e mais fiel à sua identidade.

Na noite em que o Dragão Arena se transformou numa sala de espetáculos, houve um momento em que as luzes baixaram um pouco mais: quando André Villas-Boas subiu ao palco para dizer, num tom firme, aquilo que muitos portistas sentem há meses.“ Lutamos sem medo por um FC Porto maior, mais competitivo e mais fiel à sua identidade.” Não era apenas uma frase bem construída para abrir a 38.ª edição dos Dragões de Ouro; era o guião de um mandato e o espelho de um clube que escolheu enfrentar de frente um tempo exigente. Antes de falar de números, projetos ou troféus, o presidente começou pelo essencial: as pessoas.“ Esta noite existe graças a cada um de vocês”, agradeceu, olhando para uma sala cheia de atletas, treinadores, dirigentes, funcionários, representantes das Casas FC Porto, parceiros e adeptos. Estarem todos ali, reunidos à volta de um símbolo, era, para André Villas-Boas, a melhor tradução do que é ser portista: partilhar uma paixão que não conhece meiotermo, feita de vitórias, mas também de uma permanente vontade de recomeçar. A gala dos Dragões de Ouro é, por natureza, o momento em que o FC Porto“ olha para dentro” e reconhece quem mais se distinguiu. Villas-Boas aproveitou esse espelho interno para revisitar os valores que moldaram mais de 132 anos de história: trabalho, exigência, rigor, transcendência. Não os apresentou como slogans, mas como herança. Lembrou António Nicolau de Almeida e José Monteiro da Costa, os presidentes, dirigentes, treinadores e jogadores que, ao longo de décadas,“ propositadamente criaram uma cultura moldada pela personalidade do povo e das gentes” da cidade e da região. Dessa matriz nasce o portista moderno,“ distinto pelo seu carácter, pela sua persistência, pela sua vontade de vencer e pela luta intransigente pelos seus valores”. Foi também por isso que o discurso não fugiu à dor dos últimos meses. Villas-Boas evocou Jorge Nuno Pinto da Costa,“ o Presidente dos Presidentes”, o homem que transformou o FC Porto numa referência mundial e que acreditou sempre que o clube podia ser muito

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