Dragões #468 Nov 2025 | Page 60

VOLEIBOL
NOVEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
NOME Beatriz Costa Basto DATA DE NASCIMENTO 31 de agosto de 2001 NATURALIDADE Matosinhos ALTURA 1,59 m POSIÇÃO Líbero CAMISOLA 7 CLUBES Leixões SC FC Porto TÍTULOS( 8) 3x Campeonato Nacional 2x Taça de Portugal 3x Supertaça
Era muito boa e continua a ser. Tínhamos uma equipa muito unida, dávamonos todas bem e a relação com elas surgiu de uma forma natural. Gostei muito de jogar com elas e estou feliz por nos termos cruzado novamente.
Como tem sido trabalhar de novo com o Miguel Coelho? O Miguel é um treinador muito importante para mim, porque me acompanha há muitos anos. Claro que todas as épocas são diferentes e o estilo de treino pode variar um bocado, mas a sensação acaba por ser mais familiar, o que também me deixa numa zona de conforto.
Ter um treinador que também foi líbero é uma vantagem? Julgo que sim e isso sente-se nas correções durante o treino. Como o Miguel teve essa experiência acaba por ter outra visão e conseguir ajudar-nos de outra forma. Os líberos têm uma visão do jogo que mais ninguém tem, porque o vemos de trás, como se estivéssemos a avaliá-lo da bancada. Além disso, o Miguel é um líder e a combinação dessas duas perspetivas pode ser muito benéfica.
Como é que uma portista se sentia a jogar contra o FC Porto? Quando comecei a jogar, o FC Porto ainda não tinha equipa, então cresci a dizer que o Leixões era o meu clube no voleibol. Já jogava em Matosinhos há muitos anos, portanto nunca encarei
as coisas dessa forma. Ainda assim, qualquer jogo contra o FC Porto dava sempre uma adrenalina especial.
A final perdida no Dragão Arena, em 2021 / 22, foi muito dura? Foi, sim senhora. Lembro-me de todos os jogos desse play-off, mas o decisivo … O FC Porto era favorito, nós debatemonos muito bem e demos luta, mas o favoritismo pesou no último jogo.
Agora que está deste lado, o que sente? É muito diferente. Sentimos uma pressão positiva e borboletas na barriga por termos os adeptos a acompanhar-nos e a puxar por nós. É muito diferente jogar deste lado, porque sabemos que estamos a representar uma cidade e um clube com muitos adeptos, mas a pressão é boa.
Tem sido um dos grandes destaques do plantel. Esperava ser titular? Não esperava, nem podia esperar. Vim lutar por um lugar com a Joana Resende, uma atleta muito boa, que sempre foi a líbero do FC Porto. Vim para fazer o meu trabalho, treinar como sei, dar o meu melhor, divertir-me a jogar e aproveitar esta época. A titularidade nunca é certa e temos de trabalhar todas as semanas para a mantermos. É fruto do trabalho que se desenvolve todos os dias e, no fundo, o processo é sempre o mais importante.
Como é que uma jogadora com menos de 1,60 metros se destaca num desporto em que as melhores são sempre as mais altas? Trabalho muito para ser a mulher elástica [ risos ]. Tento ser rápida, ágil, há quem diga que chego ao chão mais rápido do que as outras. Claro que se fosse mais alta ocuparia mais espaço na receção e teria mais facilidade em chegar a algumas bolas, mas acabo por ter outras características que me ajudam a colmatar essas dificuldades.
Já conhecia boa parte do plantel, mas o que tem achado dos reforços? Temos atletas muito experientes que vieram de outros campeonatos e trouxeram coisas novas à equipa. O facto de termos muitas estrangeiras é vantajoso. O grupo é bastante unido e não falta boa disposição nos treinos, o que faz com que seja mais fácil vir trabalhar todos os dias.
Jogando no FC Porto está mais perto de regressar à seleção? Acredito que sim. Tenho desempenhado bem o meu papel, mas há sempre coisas a melhorar e tenho consciência de que há outras líberos muito boas em Portugal. Claro que gostava de voltar à seleção, mas estou focada no meu trabalho no FC Porto e essa possibilidade acabará por surgir como acréscimo.
O que é que o FC Porto tem que as outras equipas não têm? Sobretudo experiência e um grupo muito divertido a jogar. Claro que é diferente jogar em cima de vitórias, mas acho que o que nos diferencia é a experiência e o gosto por trabalhar.
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