Dragões #468 Nov 2025 | Page 15

TEMA DE CAPA
NOVEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
num Dragão cheio, em modo arena, a provar que também sabe receber o lado mais épico do rock contemporâneo. Treze meses mais tarde, em julho de 2014, o estádio encheu-se de cartazes, gritos agudos e telemóveis no ar para receber os One Direction e a digressão Where We Are. Com 45.000 espectadores e os D. A. M. A a abrir a tarde / noite, o Dragão foi capital mundial do pop adolescente durante algumas horas, mostrando que o mesmo anfiteatro que recebe clássicos europeus também sabe acolher fenómenos de histeria juvenil com a mesma naturalidade. Mas nem só de música se faz a agenda extrafutebol do estádio. Em junho de 2009, o relvado deu lugar a uma pista paralela de cerca de 900 metros de extensão para receber a Race of Champions, a célebre Corrida dos Campeões que pela primeira vez aterrou em Portugal. Durante dois dias, o Dragão foi autódromo improvisado e reuniu nomes grandes do automobilismo num investimento de milhões e com
A Bigger Bang Tour montou no Dragão um palco enorme e nunca antes visto em Portugal.
O concerto dos Rolling Stones inscreveu o estádio na rota dos grandes espetáculos mundiais.
Os Muse, a banda de
Matt Bellamy, transformaram o relvado numa máquina de efeitos especiais. traçado desenhado sob a supervisão da antiga piloto de ralis Michèle Mouton. Foi o estádio virado do avesso, com o relvado a dar lugar ao asfalto e à adrenalina das curvas apertadas. O lado mais familiar e infantil do estádio ganhou protagonismo com o Festival Panda, que em 2013 e 2014 transformou o Dragão no maior recreio do país. Em junho de 2013, o recinto recebeu duas sessões, com milhares de crianças a subir as mesmas rampas e os mesmos degraus que conduzem aos grandes clássicos. No ano seguinte, a sétima edição do festival trouxe o tema“ Volta ao Mundo” e um cartaz recheado de personagens televisivas – de Looney Tunes e Porquinha Peppa a Mundos de Mia, Tree Fu Tom, Nutri Ventures e a Banda do Panda, com Vila Moleza, Ruca e Sid Ciência a completar o alinhamento. A vocação multidisciplinar estende-se ainda à rua e à cidade. A Corrida do Dragão leva, ano após ano, milhares de participantes a cumprir 10 quilómetros de prova ou cinco de caminhada, com partida e chegada junto ao estádio e um mar de camisolas azuis e brancas a tomar conta da envolvente. É o estádio em modo pelotão, a trocar chuteiras por sapatilhas de corrida e a convidar adeptos de todas as idades a viver a marca FC Porto em ritmo de prova. Tudo somado, o Estádio do Dragão é mais do que o lugar onde o FC Porto joga. É um anfiteatro que mudou de escala para receber rock histórico, pop planetário, corridas de automóveis, festivais infantis e grandes eventos de corrida e caminhada. Um estádio que, sem deixar de ser casa do futebol, aprendeu a ser também palco, pista, parque temático e ponto de encontro para várias gerações de portistas, mesmo nos dias em que a bola descansa.
15