Dragões #468 Nov 2025 | Page 11

TEMA DE CAPA
NOVEMBRO 2025 REVISTA DRAGÕES
Entre marés de história e ondas de futebol, o imaginário marítimo português dominou a cerimónia de abertura do EURO 2004. absoluta de Lionel Messi pelos“ blaugrana” com apenas 16 anos. O relvado demorou a entrar em“ modo competição”, é verdade, mas quando o fez mudou o rumo de uma época europeia. A 25 de fevereiro de 2004, Benni McCarthy bateu por duas vezes o Manchester United e empurrou o FC Porto para uma caminhada que só terminou em Gelsenkirchen, com a vitória na Liga dos Campeões, mas com o cheiro do Dragão ainda na pele. Poucos meses depois, o estádio recebeu o pontapé de saída do Euro 2004. Portugal não foi feliz nesse 12 de junho, perdeu com a Grécia, mas o Dragão guardou uma marca para a história: o primeiro golo de Cristiano Ronaldo em fases finais de grandes torneios, o primeiro capítulo de uma coleção de noites épicas com a seleção. A relação voltou a acender-se em junho de 2019, quando, na Liga das Nações, o Dragão assistiu a um hat-trick de Ronaldo frente à Suíça nas meias-finais e, dias depois, viu Portugal levantar o troféu frente aos Países Baixos. Mais do que jogos, foram afirmações de identidade: aqui, Portugal sente-se em casa. A vocação europeia do Dragão ganhou uma espécie de coroação a 29 de maio de 2021, quando, em plena pandemia da covid-19, a UEFA transferiu para o Porto a final da Liga dos Campeões. O Chelsea-Manchester City, resolvido com um golo de Kai Havertz a favor dos azuis de Londres, trouxe de volta o rumor internacional às bancadas, provou a competência organizativa do clube e da cidade
Foi no Estádio do Dragão que Cristiano Ronaldo marcou o primeiro golo pela seleção. Portugal perdeu o jogo com a Grécia, mas ganhou um goleador ímpar.
O FC Porto emprestou o palco e o Chelsea tratou do resto: venceu o City numa final inglesa e ergueu a“ orelhuda” num cenário de luxo.
Jorge Costa e Diogo Jota foram homenageados ao 2.º e ao 21.º minuto da goleada sobre a Arménia que garantiu a qualificação de Portugal para o Mundial 2026. e confirmou uma evidência antiga: o Dragão aguenta as maiores responsabilidades com uma naturalidade que impressiona. Arquitetonicamente, o estádio assina a sua presença sem gritar. O traço de Manuel Salgado, a luz que atravessa os vãos e o diálogo com a cidade dão-lhe uma modernidade serena, com 50.033 lugares que parecem sempre mais quando a equipa empurra e as bancadas respondem. É um equipamento de elite, sim, mas sobretudo um lugar de vitórias, de reencontros, de rituais. Basta uma tarde de campeonato, um jogo europeu ao cair da noite ou uma visita ao Museu para perceber que o Dragão é um ecossistema e não apenas um edifício. Vinte e dois anos depois, a lista de memórias é vasta e ainda assim incompleta: a noite de Messi, os golos de McCarthy ao United, o primeiro grito de Ronaldo numa grande competição, a taça da Liga das Nações levantada“ em casa”, a final da Champions, as muitas jornadas em que o FC Porto fez do Dragão um multiplicador competitivo e, agora, a goleada por 9-1 à Arménia com dois minutos de tributo a Jorge Costa e Diogo Jota. No estádio que aprendeu a celebrar e a lembrar ao mesmo tempo, o próximo capítulo está sempre marcado para breve. Porque no Dragão a história não se arquiva, joga-se.
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