Dragões #453 Ago 2024 | Page 46

“ Não marquei muitos golos , mas os que marquei foram importantes . Posso até dizer que foram decisivos .”
O GOLO DA MINHA VIDA
AGOSTO 2024 REVISTA DRAGÕES

ALOÍSIO Há um Herrera que não lhe sai da cabeça

Um central goleador ? Não , nem por sombras . Um jogador com uma classe ímpar e com faro para os momentos decisivos ? Certamente . Aloísio é recordado por muitos como um dos melhores defesas que alguma vez passou pelos relvados portugueses e faz parte do melhor onze azul e branco perpetuado no Museu .
TEXTO : TIAGO SOARES (*)

Chegou à Invicta em 1990 , vindo do Barcelona , e terminou a carreira de jogador 11 temporadas depois com a mesma camisola . Hoje , aos 61 anos , Aloísio recorda com saudade o período em que se afirmou como uma pedra basilar da defesa azul e branca , sem desdenhar as incursões no ataque e as tentativas de chegar ao golo , em especial em lances de bola parada . “ Não marquei muitos golos , mas os que marquei foram importantes . Posso até dizer que foram decisivos ”, contou à DRAGÔES , mesmo juntinho à escultura a que dá corpo em novembro de 2013 . A estatística dá-lhe razão , porque 18 golos em 474 jogos oficiais são números magros em termos de concretização , mesmo para um defesa . Porém , há algo que as estatísticas nunca mostram : a quantidade de golos impedidos . E aí Aloísio foi prodigioso . Ainda assim , houve vários momentos em que os golos do brasileiro foram importantes para as conquistas do FC Porto . Por exemplo , na final da Taça de Portugal de 1993 / 94 - a tal que termina com o capitão João Pinto

“ Não marquei muitos golos , mas os que marquei foram importantes . Posso até dizer que foram decisivos .”

a usar o troféu para se defender dos objetos atirados por adeptos do Sporting - , o central converteu , com categoria , a grande penalidade decisiva da finalíssima ( 2-1 , após prolongamento ). Mas não é esse o golo da vida de
Aloísio , que escolhe um cabeceamento certeiro que valeu um troféu de prétemporada , à época de grande prestígio . No Estádio de Riazor , a 17 de agosto de 1991 , o FC Porto defrontava o Deportivo da Corunha na final do Troféu Teresa Herrera . Depois de terem derrotado o Real Madrid nas meias-finais ( 2- 1 , com golos búlgaros de Mihtarski e Kostadinov ), dois dias antes , os Dragões procuram erguer pela primeira vez o troféu , e logo frente à equipa da casa , que havia derrotado o Ajax de Amesterdão na outra meia-final . “ O golo mais importante da minha vida foi nesse jogo . Marquei de cabeça e ganhámos 1-0 ”, recorda . O lance , aos 92 minutos , surgiu de um livre de Timofte na direita e Aloísio , que fez dupla de centrais com Fernando Couto , não deu hipóteses ao guarda-redes Yosu , fazendo o resultado final . “ Foi um troféu importante pelos clubes que estavam envolvidos e pelo facto de o FC Porto já ter participado , mas não ter ganho ”, justifica o brasileiro .
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