Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Page 510

1. Introdução Bell (2011) descreve o cenário do Big Data e faz uma interessante relação com as bibliotecas: No século XXI, a maior parte do vasto volume de dados científicos capturados por novos instrumentos 24 horas por dia, todos os dias, junto com a informação gerada nos mundos artificiais dos modelos computacionais, deverá permanecer para sempre num estado submetido a curadoria e acessível ao público para fim de análise contínua. Esta análise resultará no desenvolvimento de novas teorias! Acredito que logo mais chegará um tempo em que os dados viverão para sempre em mídia arquivada – igualzinho ao armazenamento em papel – e será acessível publicamente a homens e máquinas numa ‘nuvem’. Só recentemente ousamos pensar essa permanência de dados, da mesma forma que pensamos nas ‘coisas’ mantidas nas bibliotecas e museus nacionais! Essa permanência ainda parece longínqua, até se notar que a coleta da origem dos dados, inclusive registro de pesquisadores individuais e às vezes tudo que se puder colher sobre os próprios pesquisadores, é exatamente o que as bibliotecas insistem em fazer e têm sempre tentado fazer. A ‘nuvem’ de polarizações magnéticas, codificando dados e documentos na biblioteca digital, vai se tornar o equivalente moderno de quilômetros de estantes de biblioteca, que conservam em papel e partículas de tinta (p. 12). Inserida neste cenário, a provocação original para este trabalho encontra-se na própria etimologia da palavra biblioteca: segundo Fonseca (2007), biblioteca vem do grego, da raiz biblión (significado livro) e théke (significado invólucro protetor, tal como caixa, estojo) (p.48). Essa definição é por demais limitada diante dos novos desafios da sociedade da informação e do conhecimento. É preciso “sair da caixa”, das paredes físicas das bibliotecas e instituições, dos retângulos dos formulários de busca, assumindo uma postura interdisciplinar que implique uma evolução contínua no diálogo do profissional bibliotecário com as áreas afins. A pesquisa jurídica “fora da caixa” é um esforço de aproximação de experiências de pesquisa em diferentes áreas do conhecimento: a publicidade e propaganda, as ciências do mar e o direito. A criatividade é a base do trabalho da publicidade e propaganda: toda campanha publicitária deve se basear numa ideia original. Suas fontes são essencialmente “fora da caixa”. Independente da área em que atue, o profissional em publicidade e propaganda, deve estar apto aos estímulos das novas convergências. O profissional de informação, atuando geralmente como suporte às áreas de planejamento estratégico e novos negócios, tem à sua disposição ferramentas e bases de informações BTL (below the line, não tradicionais, como o Facebook, para obter, entre outras informações, posts de oportunidades de marcas ou Youtube para registrar campanhas digitais), bem como ATL (above the line, tradicionais, como o Arquivo da Propaganda do Brasil), referentes a campanha publicitária em geral, ações (eventos, patrocínios, etc), entre outros. O contexto no qual o conhecimento na área de ciências do mar se desenvolve é essencialmente interdisciplinar: ciência e tecnologia (engenharia, física, química, matemática, etc.), vida marinha (biologia, ecologia, etc.), ambiente marinho (oceanografia, geologia, meteorologia, etc.), sociedade e mar (sociologia, filosofia, etc.), bem como desenvolvimento de energias alternativas. Áreas como a de direito ambiental oferecem continuamente temas para pesquisa e transformação da sociedade, combinando o conhecimento jurídico com o conhecimento das ciências 498