Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Página 393

A complexificação do conhecimento e o desenvolvimento tecnológico permitiram a implementação de sistemas de informação sofisticados, com reflexos importantes para a administração das instituições contemporâneas. Isso pode ser observado também nas instituições públicas, ligadas ao Poder Executivo e ao Poder Judiciário, onde o acesso à informação e mesmo o trâmite de pleitos e demandas ocorre cada vez mais através de processos eletrônicos. Estas iniciativas permitem, por um lado, uma ampliação dos mecanismos de acesso à justiça e a uma maior eficiência do sistema pela racionalização da burocracia. Por outro lado, defrontamo-nos com as “nebulosidades tecnológicas” (bugs técnicos e operacionais, invasão por hackers, etc.) e os interesses institucionais e corporativos imbricados na gestão de informações (acesso à informação, certificação dos dados, controle e gerenciamento da informação, administração dos bancos de dados, etc.) ocasionam desconfianças com relação aos limites e possibilidades da gestão de informações institucionais virtualizadas. A presente reflexão se volta à discussão da gestão da informação eletrônica nas instituições, suas possibilidades e desafios, tomando como referencial teórico para esta abordagem à teoria discursiva de inspiração habermasiana. Para tornar viável nosso intento, enfocaremos, inicialmente, a relação entre conhecimento e gestão da informação eletrônica, no intuito de apontar a concepção de conhecimento que tem sido preponderante quando se trata da gestão da informação eletrônica nas instituições. Num segundo momento, procuraremos evidenciar que a gestão da informação eletrônica contemporânea se atrela a uma concepção específica de modernidade, que traz conseqüências no modo como as relações institucionais se configurarão. Em sequencia, apontamos alguns problemas que se apresentam como desafios à gestão da informação eletrônica em cenários institucionais complexos. Finalmente, propomos uma interpretação discursiva para a gestão da informação eletrônica, por entender que tal perspectiva pode contribuir para ultrapassar muitas dos problemas anteriormente apontados como desafios. 1. Conhecimento e gestão da informação eletrônica A espécie humana, graças a sua capacidade racional, caracteriza-se enquanto dotada de condições de aprendizagem, possuidora das possibilidades de fala e de ação. Em face disso, o ser humano não apenas exercita seus sentidos pela provocação de elementos que lhe são circundantes, mas é capaz de converter em sensibilidade aquilo que provém da sensorialidade. Assim, as relações que estabelece com “o que há”, com o que se manifesta a ele (phai-noumenon), deixam de ser mera recepção de sensações e impressões, mas se convertem em efetiva elaboração de dados, construção de significados, os quais são partilhados coletivamente. 381